Comunicação Não-Violenta: melhore relacionamentos pessoais e profissionais

Que tal usar a CNV neste campo de interações digitais à distância e reuniões onde os participantes precisaram lidar com muitas emoções em jogo?

Muitas vezes a comunicação que usamos ou recebemos contém termos agressivos, julgadores e parciais. Nesses momentos nós e nossos interlocutores naturalmente nos colocamos em posição de defesa, mesmo que de forma inconsciente, e a possibilidade de se gerar um encaminhamento positivo para o tema discutido reduz-se drasticamente. Você conhece a CNV?

A técnica da CNV nos prepara para lidar com estas situações, seja como ouvinte ou comunicador. Sou imensamente grato pelos inúmeros conflitos familiares e profissionais que pude lidar de forma construtiva a partir da sua aplicação.

Image for post Foto por Volodymyr Hryshchenko via Unsplash

Foto por Volodymyr Hryshchenko via Unsplash (/)

Antes de usar a CNV eu já conhecia a importância de se desenvolver a escuta empática e a capacidade de expor meus pontos de vista, a fim de me fazer entendido, e de indagar meu interlocutor de forma genuinamente curiosa, para compreender suas perspectivas. Esta abordagem sem dúvida me ajudou muito na construção de bons diálogos.

No entanto, quando há emoções calorosas presentes, o simples expor e indagar, ainda que trazidos de forma empática, não se mostra suficiente para lidar com a situação. Nestes casos a CNV é especialmente efetiva e poderosa.

CNV: um método simples, mas que demanda um mergulho em nós mesmos

A técnica da Comunicação Não Violenta é descrita em 4 etapas. Imagine que você está diante de seu interlocutor e que vai iniciar uma conversa potencialmente difícil pois há muita emoção presente devido a uma situação que gerou desconforto. Neste cenário, a CNV indica que você deve:

  1. Relatar o ocorrido da forma mais factual e neutra possível;
  2. Revelar como você se sentiu diante do ocorrido;
  3. Explicar qual é ou são suas necessidades subjacentes ao sentimento desperto;
  4. Efetuar um pedido (ao invés de uma exigência) que pode gerar um novo encaminhamento àquela situação.

Quando menciono a técnica a clientes, revelo que a mais desafiadora para mim é a etapa zero. Nesta “pré-etapa” precisamos identificar o que realmente estamos sentindo, porque a situação está “pegando” para nós e qual é a necessidade não atendida que está fomentando aquele sentimento. E isso pode não ser tão simples pois nossos sentimentos se misturam muitas vezes.

Lembro de uma situação com minhas filhas adolescentes que, ao viajar para a casa de familiares, com frequência esqueciam de me avisar quando chegavam. Numa noite adormeci mais cedo e quando acordei já era de madrugada, o que me gerou um dilema. Se eu ligasse para checar se haviam chegado bem poderia acordar pessoas da casa.

Se, simplesmente acreditasse que tinham chegado bem e que não se lembraram de me enviar uma mensagem, dormiria com preocupação. Dormi sem ligar e acordei muito irritado com elas na manhã seguinte. Mas decidi me aprofundar naquele sentimento e verifiquei que por baixo da irritação e raiva havia uma tristeza.

A tristeza infantil de não me sentir tão importante para elas. Uso infantil aqui pois não tenho dúvidas de elas me amam e sou importante para elas, mas havia um lado meu que sentiu aquela tristeza.

Ao ligar para elas pela manhã, usei a CNV revelando minha tristeza e minha necessidade de me sentir relevante para elas. Foi a conversa mais impactante que poderia ter conduzido e, a partir daquela data, elas se tornaram muito mais cuidadosas com este tipo de situação.

Meus principais aprendizados com a CNV

O primeiro grande insight que tive com a CNV foi o poder da frase “Eu me senti…”. E já usei na sequência da frase palavras como excluído, enganado, desrespeitado entre tantas outras. Mas ao usar o sentir-se na 1ª pessoa, ao invés de “Você me…” excluiu, enganou, desrespeitou etc. manifesto algo que é incontestável e que não entra no mérito da intenção do outro.

Simplesmente trago para a consciência do outro qual foi o impacto de determinada situação, sem qualquer acusação. Neste caso o interlocutor não tem como dizer “Não, você não se sentiu…”

E ao ficar mais consciente da importância de descobrir e revelar meus sentimentos e necessidades subjacentes, tornei-me muito mais curioso e hábil para ajudar meus interlocutores e identificarem e revelarem seus sentimentos e necessidades. Pesquisas na neurociência têm nos ajudado a entender inclusive o que acontece com nossa fisiologia e bioquímica.

Ao nominar e explicitar o sentimento, permitimos que haja um deslocamento da atividade na nossa amígdala, estrutura cerebral responsável pela gestão do lutar ou correr, para a parte frontal do cérebro, que trabalha com decisões mais planejadas e equilibradas.

Vídeo: O poder da vulnerabilidade — Brené Brown

A CNV ensinou-me o poder da vulnerabilidade (vídeo) e da coragem de revelar algo valioso sem ter a garantia de como será recebido pelo interlocutor, mas que invariavelmente cria conexões humanas genuínas e espaços para diálogos profundos e transformadores.

Em tempos de pandemia passamos a ter muitas interações no campo digital, inúmeras reuniões onde dois ou mais participantes precisaram lidar com situações por vezes difíceis e onde há muitas emoções em jogo. Que tal usar a CNV neste campo de interações digitais à distância? Garanto que os resultados vão surpreender.

Veja mais sobre comunicação e conversas verdadeiras nas organizações aqui.

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