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Nem home nem office: as transformações aceleradas pela pandemia

Produtividade no trabalho tem menos a ver com o local e mais com as condições onde o profissional se sente mais apto a desempenhar as suas funções

Não há o que negar, o mundo teve uma experiência de trabalho flexível em massa pela primeira vez em 2020, com todos os países e todas as empresas do mundo ao mesmo tempo. E nem o mais animado futurista teria condição de prever que o modelo de trabalho com localização flexível domiciliar, conhecido por muitos por aqui como home office, seria uma alternativa tão funcional e ao mesmo tempo tão polêmica por ter sido tomada a decisão às pressas e sem o devido plano. Talvez funcionou para muitos ou falhou para muitos exatamente por esse acaso.

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Vejamos: uma pesquisa realizada logo no começo de 2020 pelo grupo IWG mostrou que menos de um quarto das empresas tinha uma política de trabalho flexível definida, a ser utilizada caso que funcionários precisassem trabalhar de casa. Além disso, nessa mesma pesquisa, dizia-se que quase 80% dos colaboradores gostariam de ter algum tipo de flexibilidade na localização do seu trabalho.

Pois bem, a pandemia chegou e fez com que a maioria dos  colaboradores administrativos no mundo fossem colocados no tal “trabalho flexível”. Empresas correram para comprar mesa e cadeira, notebooks ou mesmo para garantir que a internet residencial funcionasse. E funcionou? Sim, para a maioria das empresas. É definitivo? Difícil dizer, será que essas mudanças apenas aterrissaram uma tendência inevitável ou realmente transformaram a forma como trabalhamos? Uma empresa para existir precisa só de mesa, cadeira e notebook em casa ou um CNPJ vai muito além disso?

Se você, como eu, segue perfis na mídia social, deve ter visto inúmeros exemplos de empresas que tiveram sucesso com a implementação do trabalho flexível e também pessoas que tiveram muitos problemas, para não dizer perrengues, trabalhando de casa. Acho que a pergunta do milhão seria: meus funcionários foram mais produtivos trabalhando de casa?

A resposta para essa pergunta é dúbia, pois:  Sim, durante o início da pandemia, muitas pessoas preocupadas em perder o emprego trabalharam muito mais, muito mais horas. Afinal, o horário comercial “deu uma desaparecida conveniente”, mas isso não significa que as pessoas são mais produtivas. Talvez trabalharam mais horas e, devido ao medo da pressão da crise, deram o seu melhor. Mas será que em condições normais de temperatura e pressão isso aconteceria?

Quando o assunto é redução de tempo perdido, como o tempo com o deslocamento no transporte público, aí sim vou concordar que houve ganho de produtividade trabalhando de casa. Afinal de contas, trânsito e transporte público são efetivamente tempos improdutivos.

Mas a grande verdade é que a maioria das ferramentas utilizadas em 2020, consideradas "inovadoras”, já existiam havia muito tempo. O home office tem pelo 15 anos. Os programas de videoconferências? Pelo menos 10 anos. Internet residencial de alta velocidade? Pelo menos 15 anos. Aí fica a pergunta: se todas essas tecnologias já existiam no passado, por que nunca foi a prioridade número um das empresas o tal trabalho remoto?

Em 2021, pode ser que a principal tendência para os espaços corporativos deixe de ser necessariamente a quantidade de metros quadrados que você ocupa e passe a ser o principal propósito que faz com que você leve funcionários para o escritório: a integração, a conexão entre pessoas, o crescimento do sentimento de equipe, a infraestrutura & conectividade que não poderiam ser entregues em casa. As empresas e as pessoas buscam um relacionamento diferente com custos e com ativos neste período de fim de pandemia.

Marque minhas palavras: FLEXIBILIDADE COM SEUS ATIVOS é a chave dos próximos anos.

E se esse ativo for o meu local de trabalho, então talvez eu vá trabalhar quando preciso em um coworking, ou trabalhar mais perto da minha casa em uma quarta-feira ou trabalhar na minha casa em uma sexta-feira ou mesmo de um escritório corporativo duas vezes na semana.

Minha produtividade deixa de ser sobre "onde eu preciso estar", pois minha empresa está lá, e passa a ser "onde eu preciso estar para ser mais produtivo".

É o fim do expediente das 8h às 17h como nós conhecemos.

*Tiago Angelo Alves é CEO Brasil da Regus & Spaces e fundador da In.talks. Siga no LinkedIn: www.linkedin.com/in/tiagolhes Instagram: @tiagolhes

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