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Casamento às Cegas, mas nunca deixe de abrir o olho

"A história da série instiga desde o início: ela acompanha 16 homens e mulheres que, confinados individualmente, tentam achar o seu par apenas conversando"

Por Frederico Pompeu

Este fim de semana eu finalmente assisti “Casamento às Cegas”, o reality show mais comentado do momento. Estrelado pela Camila Queiroz e pelo Klebber Toledo, ele é a versão brasileira do programa “Love is Blind”, que foi um grande sucesso nos EUA. Confesso que meu grande motivador para ver a série foi a participação da minha esposa, Lethicia Bronstein, que foi a estilista convidada para encontrar o vestido perfeito para cada noiva do programa mas, vou confidenciar também, que acabei ficando “preso” na cativante narrativa da Netflix.

A história da série já instiga o telespectador desde seu início: ela acompanha 16 homens e mulheres, dos mais diferentes perfis que, confinados em cabines individuais, tentam achar o seu par ideal apenas conversando, sem poder ver ou tocar quem está do outro lado. Eles apaixonam-se apenas pela ideia. Os que resolvem noivar seguem para uma lua de mel e passam a morar juntos. É nesta hora que as coisas começam a se complicar. A decisão final de “serem felizes para sempre” ou não, deve ser feita em um altar, com o vestido de noiva feito pela Lethicia, na frente da família e de amigos, respondendo à pergunta se o amor pode realmente ser cego.

Apaixonar-se por uma ideia, num pitch apenas verbal, sem ter necessariamente convivido com a contraparte? Humm, não sei não, mas isto me lembrou muito o mundo dos investimentos em startups. Com o empreendedorismo tendo finalmente virado uma real opção no Brasil, temos visto uma verdadeira profusão de novas Startups, que precisam levantar capital para lançar, testar e escalar os seus produtos e serviços. Esse processo de captação de recursos (fundraising em inglês) envolve a conversa com diversos investidores que, escutam a ideia do empreendedor, e acreditam ou não que ele será capaz de entregar o que ele colocou no powerpoint. Uma vez dado o “match”, ele investe na empresa e, a partir dali o empreendedor terá que conviver com seu novo sócio por um longo período, prestando satisfações não só sobre a condução do negócio, mas também sobre a evolução financeira do mesmo. Assim como no reality, é também aí que podem começar os problemas.

Os empreendedores talvez se esqueçam, mas vender ações da empresa não é a única forma de se levantar capital. Uma modalidade que já é muito comum em países desenvolvidos, notadamente nos EUA e na China, e que vem cada vez ganhando mais espaço por aqui é o Venture Debt.

Venture Debt é uma forma de financiamento para startups com o objetivo de dar sustentação a planos de crescimento e expansão operacional, seja orgânica ou inorganicamente. Essa forma de financiamento é direcionada à startups que estão em etapa de tração ou escala e que, usualmente, já possuem apoio de investidores institucionais, em geral, a partir da rodada Série A de captação. Esse termo foi usado pela primeira vez na década de 1970 para definir o financiamento de equipamentos fornecidos a empresas que ainda estavam em estágio inicial. Essas startups precisavam comprar equipamentos para a empresa continuar operando, mas não tinham fluxo de caixa para financiar a dívida da forma tradicional.

Uma das principais vantagens do Venture Debt versus a venda de ações é que ela gera uma extensão de caixa para a empresa alcançar novos marcos entre rodadas de captação, possibilitando assim um aumento do Valuation da mesma e, por consequência, sendo menos diluitiva para os empreendedores. Outro ponto bem importante é que os credores não pedem assento no Conselho ou fazem qualquer tipo de interferência na condução da empresa, ou seja, os empreendedores continuam com as rédeas da gestão.

Uma pergunta recorrente em relação a essa modalidade de crédito é sobre que tipos de garantia os bancos costumam pedir? Como estamos falando de startups e modelos de negócios com poucos ativos físicos (asset light), as garantias costumam ser constituídas em cima da propriedade intelectual ou direito da marca, sob a forma de recebíveis, ainda que não performados, aval dos acionistas e/ou as ações da própria companhia. O modelo costuma ser bastante flexível com o financiador sempre buscando algum tipo de senioridade em relação aos acionistas. Aqui no boostLAB, hub de negócios do BTG Pactual para empresas de tecnologia, somos bem ativos nesta modalidade, já tendo feito algumas operações interessantes como quando financiamos a compra do Buscapé pelo Zoom (criando a Mosaico, que abriu capital em Bolsa) ou a Brasil ao Cubo, construtech que construiu alguns hospitais durante a pandemia, e que depois foi investida pela Gerdau.

Sem dar Spoiler de nomes, mas como vocês já devem imaginar, alguns casais do programa acabam não se casando. Uma das noivas, em pleno altar e na frente das câmeras pede a palavra e fala: “Você me fez acreditar que estava vivendo um encontro de almas. Descobri, pelas nossas trocas do dia a dia, que o que você me dizia não se comprovava nas suas ações. Não encontrei em você o homem que me fizeste acreditar ser. Não posso deixar que esse conto de fadas se torne uma história de horror. Por isso, a minha resposta a você e a nós como casal é não”. Na vida empresarial, também é importante que o empreendedor conheça super bem o investidor antes de aceitar a proposta final. Porque aqui, assim como num casamento, a separação depois de ter assinado pode ser um tanto quanto traumática.

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