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ESG: mais do que reportar, é hora de impactar verdadeiramente

A emissão de títulos sustentáveis realizada recentemente pela Natura nos mostra que metas maiores são possíveis e desejadas

Por Francine Lemos

Nos últimos anos, a sigla ESG (do inglês Environmental, Social and Governance, ou seja, Ambiental, Social e Governança, ASG, em português), vem conquistando cada vez mais manchetes, fazendo parte das conversas e invadindo o mercado financeiro com uma série de produtos que sinalizam ter esse olhar. Tivemos uma enxurrada de empresas que anunciaram negociação em bolsas de títulos sustentáveis e criação de fundos de investimentos ESG, por exemplo. Temos uma febre de bons sustentáveis

É ótimo que o impacto socioambiental esteja na pauta e que o tema aponte novidades no mercado e na estratégia das empresas. Assim como é benéfico ver investidores cobrando, cada vez mais, uma prestação de contas que mostre, além de análises financeiras, dados de governança, impacto ambiental e social. Assumir compromissos e metas de governança e impacto são só a porta de entrada para um segmento que precisa crescer bem mais, não só para que nossa economia não destrua o planeta, mas também para que possamos ter uma sociedade mais inclusiva e igualitária, além de gerar sustentabilidade financeira para as empresas. 

As empresas precisam ir além e, mais do que se comprometer e elencar os passos a serem dados, precisam agir e de maneira ousada. Ser disruptivo é mandatório para que sociedade e o planeta não entrem em colapso sem possibilidade de retorno. Não estamos mais no momento de somente assumir compromissos verbais ou simplesmente eleger metas pouco ambiciosas. 

Nesse começo de maio, por exemplo, vimos que a Natura Cosméticos concluiu a captação de recursos para a emissão de 1 bilhão de dólares em títulos sustentáveis, os chamados sustainability linked-bonds, que estão vinculados a metas de sustentabilidade. Os recursos levantados com essa operação serão usados para que a empresa reduza os seus custos de dívida e estão ligados a metas sustentáveis, como a redução até o final de 2026 em 13% de emissões de gases de efeito estufa da sua operação e a adoção do uso de embalagem reciclada pós-consumo em pelo menos 25% dos produtos da Natura Cosméticos. 

Se a empresa não cumprir essas metas, ela é obrigada a pagar uma multa. O valor da multa da Natura é acima do que é comumente praticado por empresas em emissão de títulos com perfis semelhantes, o que mostra o seu comprometimento com a mesma. 

Esse é um caso que mostra como o cenário pede uma postura mais ousada das empresas no âmbito do ESG. A procura pelos títulos sustentáveis da Natura, segundo a própria companhia, foi quatro vezes maior ao volume ofertado.

Passada a euforia do “início do ESG”, vamos começar a ver o próprio mercado regular esse segmento e separar o joio do trigo. Ou seja, quem está praticando o “ESGwashing”, na linha do parece-mas-não-é, vai aos poucos ficar para trás e restarão somente aqueles que realmente estão dispostos a serem agentes de mudanças. Fundos ESG devem buscar negócios que acelerem a transição de modelo econômico, e deixem de financiar um modelo que já sabemos falido. 

Em resumo, ser uma empresa que adota critérios ESG, muitas vezes tem sido encarado somente como relatar e abrir de maneira transparente seus números de governança e impactos sociais e ambientais. Porém, mais do que isso, precisamos de marcas e negócios realmente dispostos a ir além. Mais do que reportar o impacto, é urgente trabalhar para que ele não seja negativo e, ao contrário, traga retorno positivo para o meio ambiente e sociedade. 

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