A consolidação da economia B virá com as grandes marcas

Comprometimento de grandes marcas com movimento de Empresas B contribui para que as regras do jogo econômico sejam alteradas mais rapidamente

Construir uma nova economia, em que a redefinição de sucesso coloca lucro e impacto socioambiental positivo lado a lado. Esse sempre foi o foco do B Lab, que aqui no Brasil é representado pelo Sistema B desde 2012. Para atingir esse objetivo, precisamos de parceiros importantes: os empresários e os executivos que fazem parte das decisões estratégicas das marcas e das organizações.

Sabemos que o Movimento B é majoritariamente constituído por pequenas e médias empresas. São elas que, com um DNA já alinhado à nova economia, desbravam novos setores, criam oportunidades e o futuro de maneira inovadora. Porém, a adesão de grandes empresas, marcas tradicionais e amplamente conhecidas pelo público consumidor nos ajuda a consolidar nosso movimento e enraizar os princípios da economia B em esferas mais amplas.

Precisamos, principalmente, de uma liderança que vai além do CEO, disposta a implementar um propósito verdadeiro, a vontade de não só diminuir o impacto negativo, mas entregar um impacto positivo e regenerar, tudo com uma prestação de contas extremamente transparente.

Ao estabelecer pontes com o que chamamos de mainstream corporativo, podemos ampliar, estimular e reconhecer a capacidade do setor privado de gerar impacto positivo. A adesão de grandes empresas à economia B é uma maneira de potencializar este movimento e, portanto, favorecer e acelerar as transformações sociais, pois essas corporações têm o potencial de conferir escala às transformações. Mais do que isso, algumas empresas têm como trabalhar em conjunto para mudarem as regras do jogo corporativo.

Em março, quando comemora-se "o mês das Empresas B" no mundo inteiro, temos a felicidade de anunciar a certificação B da operação brasileira da Danone. A Danone Brasil é a 33a. entidade da marca a conquistar o certificado.  O objetivo é que toda a Danone esteja certificada até 2030. A Danone até 2018 tinha 30% do faturamento coberto por empresas B certificadas, o que mostra o comprometimento da empresa com a nossa filosofia, bem como atesta que ele é possível e funciona.  Aqui no Brasil, ela se une à Natura, 1ª empresa de capital aberto brasileiro a se certificar e maior empresa B do mundo, além da Movida, outra representante B na B3.

No entanto, a certificação é só um dos caminhos possíveis para que grandes empresas se mostrem comprometidas com o movimento. O Sistema B tem uma atuação sistêmica pela construção de uma nova economia por meio de outras ações, como o B Movement Builders, uma coalizão de empresas multinacionais de capital aberto que visam transformar a economia global para contribuir com a valorização de longo prazo de todos os seus públicos. As B Movement Builders podem ter subsidiárias que são Empresas B, estar no processo de obter a Certificação B ou simplesmente usarem seus negócios para gerar impacto positivo.

O primeiro grupo de B Movement Builders, anunciado em 2020, tem empresas como Bonduelle, Gerdau, Givaudan e Magalu. A partir das suas experiências, os executivos discutem sobre a importância de repensar o modelo atual de capitalismo e endereçar de forma mais justa e sustentável as principais questões desse sistema econômico: a relação com funcionários e consumidores, a cadeia de suprimentos e o padrão de governança. São empresas que usam a força de seu capital para tentar promover mudanças reais.

Essas mudanças não chegam de maneira voluntária na velocidade que o mundo precisa. É preciso influenciar a mudança nas regras do jogo e institucionalizar uma nova forma de fazer negócios e causar impacto positivo, por meio do comprometimento com propósito, responsabilidade e transparência. Um exemplo: terminou agora em março a consulta pública da CVM  referente à Instrução CVM 480, que trata do Formulário de Referência, documento obrigatório disponibilizado pelas companhias abertas ao mercado. O objetivo é que as empresas passem a incluir informações que reflitam aspectos sociais, ambientais e de governança corporativa.

Por meio do nosso Grupo Jurídico B, fizemos propostas e estamos acompanhando essa ação porque mexer em métricas, fortalecer a governança alinhadas com os interesses dos negócios com os interesses da sociedade e do planeta irá realmente acelerar essa mudança, uma vez que passa também a instrumentalizar a tomada de decisão de públicos como o investidor a curto prazo.

Esses exemplos nos mostram que é necessário que o meio corporativo se una e inspire seus pares. Mais do que nunca, precisamos trabalhar coletivamente e de forma interdependente em direção a um sistema que seja verdadeiramente inclusivo, equitativo e que capacite todas as pessoas. O mundo está conclamando as empresas líderes a agirem de maneiras significativas para enfrentar a desigualdade galopante e a crise climática que estão se tornando mais agudas e ameaçam o mais básico dos sistemas dos quais dependem todas as vidas e negócios - a natureza e a interdependência humana.

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