Curiosidades sobre a Balança Comercial Brasileira

Até agosto, acumulamos um saldo positivo de US$ 36,5 bilhões, o que é 14% acima do observado em 2019

A balança comercial brasileira em meio a pandemia tem mostrado resultados extremamente favoráveis. Até agosto, acumulamos um saldo positivo de US$ 36,5 bilhões, o que é 14% acima do observado em 2019. Algumas curiosidades sobre esse resultado valem ser exaltadas:

Curiosidade número 1: o desempenho positivo da balança tem se dado por uma queda muito forte nas importações. O que faz absoluto sentido. Com a parada súbita da economia no segundo trimestre, gerando uma queda de PIB de quase 10% em relação ao trimestre anterior, era de se esperar que parássemos de importar, seja matéria-prima para novos produtos, seja produtos prontos. As empresas ficaram fechadas, o desemprego aumentou e, como sempre, a confiança, principal motor da economia, despencou provocando uma forte retração na intenção de compra.

Então, vejam: mesmo com uma queda nas exportações totais, o que de fato está ocorrendo, a queda das importações é ainda mais acentuada, permitindo um saldo positivo na balança comercial. O jogo do menos falou mais alto. 

A curiosidade número 2 trata exatamente das exportações. Conforme mencionado acima, mesmo com a taxa de câmbio média do ano acima de US$/R$ 5,0, as exportações acumulam uma queda no ano. Ora, a explicação é simples: receita é um produto de preço e quantidade. Se não há demanda a ponto de mexer na quantidade, o preço pode subir o quanto for que teremos receita fraca.

Interessante notar, contudo, que segundo a Funcex, o índice de preço das exportações caiu neste ano cerca de 8%, possivelmente, porque devido à pandemia e à brusca queda de demanda, os preços praticados em contratos ignoraram ou minimizaram a forte alta da taxa de câmbio através de mecanismos de defesa.

A terceira curiosidade é que apesar dessa queda das exportações totais, observamos um desempenho positivo neste ano das exportações de produtos básicos. Produtos básicos são  commodities, como minério de ferro, grãos, carne in natura, etc. E, olhando pelos dados da Funcex, que separa preço e quantidade, o que ajudou a receita dessas exportações foi a quantidade. A explicação se dá pelo fato do continente asiático, mais especificamente a China, ser o grande importador desse segmento e estar numa fase melhor da pandemia, com demanda praticamente normalizada. Não sei se cabe aqui dizer que o Brasil é o celeiro do mundo, mas que é o celeiro da China podemos afirmar que sim.

Assim, o resultado positivo da balança comercial neste mês, somente aponta o enfraquecimento da atividade econômica pela forte queda das importações, parcialmente neutralizada pelo contínuo bom desempenho das exportações de commodities.

Termino essa coluna com um quarto ponto a pensar. Os dados de julho da produção industrial nos surpreenderam positivamente e alguns dos setores manufatureiros já voltaram ao nível pré-pandemia. Desses, três são exportadores natos. Então, será que começaremos a ver algum desempenho melhor das exportações de manufaturados à frente? De todo modo, enquanto o Brasil é um celeiro asiático, sua manufatura depende de outros países como a Argentina e alguns países europeus que ainda estão no auge dos problemas causados pela pandemia… Se não há demanda…

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