Um ano para você não questionar mais o valor da inovação

Empresas que estavam mais preparadas para lidar com o movimento de transformação acabaram conquistando grande vantagem

A EXAME divulgou na última semana as vencedoras do Melhores e Maiores, premiação das companhias de maior destaque no País. Vendo a lista, um ponto me chamou a atenção: todas as empresas mencionadas na lista tiveram investimentos concretos em inovação nos últimos anos. 

São casos como o da Algar Telecom, que montou uma estratégia para dar conta do aumento substancial de demanda por seus serviços ao longo da crise da COVID-19 (inovação em canal), da Tenda, que mudou sua forma de construir prédios para manter a rentabilidade mesmo estando no setor de habitações populares (inovação em produto), e da Randon, que, aos 70 anos, segue batendo recordes de venda ao reinventar seus caminhões (inovação em produto). Desta última, pude participar dos bastidores da criação da Randon Ventures próximo aos líderes, e ver de perto como a companhia está mudando a estratégia para se adaptar e prosperar. 

Não é mera coincidência que todos esses casos estejam reunidos na lista deste ano. 2020 é um ano simbólico para quem trabalha com inovação. Mesmo empresas que não têm uma área dedicada para pensar exclusivamente no futuro tiveram que protagonizar grandes viradas em suas formas de trabalhar. 

A mudança abrupta nos negócios, produtos, atendimento, canais de venda e até cultura das companhias foi muito acelerado pela pandemia do novo coronavírus, claro. 

Não era esperada a chegada de uma doença que nos obriga a manter o distanciamento social e fechar escritórios, mas mais do que isso: também torna mandatória a digitalização quase que forçada de produtos e serviços. Restaurantes foram aos apps ou até ao WhatsApp rudimentar (caso da ótima hamburgueria que é quase minha vizinha), as escolas viram suas salas de aula esvaziadas (e os alunos em casa), as empresas não tiveram alternativa ao home office, linhas de produção e supply chain sofreram a disrupção por conta de um elo menos preparado. 

Neste cenário, empresas que estavam mais prontas para lidar com o movimento de transformação acabaram conquistando grande vantagem. 

Além das corporações premiadas no Melhores e Maiores e de empresas de grande porte, startups também sofreram com o balanço do mercado. Mas não só negativamente: a Vittude, startup que conecta pacientes a psicólogos, já estava totalmente adaptada à telemedicina ultrapassou em poucos meses a marca de 10 mil clientes, vendendo tanto para pessoa física quanto para empresas. A EXAME Academy também teve boa repercussão do curso de saúde mental, focado no mesmo tema. 

Outro caso de startup que cresceu exponencialmente durante a pandemia é a Netshow.me, ferramenta de transmissão ao vivo e software de OTT (Over The Top), “Netflix Corporativo”. A companhia cresceu 400% durante o período ao direcionar seus esforços para ser a plataforma uma atividade que se tornou onipresente em tempos de distanciamento social: os eventos online.

Quem ainda não estava adaptado a um mundo com atividades remotas e relacionamento digital com os clientes teve que correr para se adaptar de uma hora para outra – sinal claro disso é que entre os alunos da primeira edição do Bootcamp de RH Ágil, a maior parte era formada por profissionais que buscaram agilidade para reinventar seus processos, atividades e modelo mental em pouquíssimo tempo. 

Muito além da COVID-19

Mas não foi só a pandemia que impulsionou todo este processo de transformação. Muito antes do primeiro caso de infecção no Brasil, este já era um ano que dava mostras de um grande poder transformador para os negócios.

Caso claro é o tanto que as empresas tiveram que se adaptar para estar alinhadas à Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD). Em seus 64 artigos, a nova regra trouxe uma série de limitações e exigências que obrigaram todo mundo que faz negócios via internet (nos dias de hoje, virtualmente todo mundo) a repensar a forma como conduz seus planos de marketing e seu relacionamento com o público.

Outra mudança regulatória com potencial de reinventar muita coisa foi o Pix, sistema de pagamentos instantâneos desenhado pelo Banco Central e que fez grandes bancos e fintechs redesenharem totalmente seus produtos e estruturas tecnológicas para realização de transferência. Mais do que um novo item no portfólio dos bancos, o Pix mexeu com a cara do cenário competitivo do setor, uma vez que antigos diferenciais passaram a ser commodity e os players se viram obrigados a encontrar novos pontos de diferenciação.

No livro O Jogo Infinito, o autor Simon Sinek (o mesmo da teoria do Círculo Dourado, popularizada há alguns anos em uma palestra TED), diz que o mundo tem regras muito menos rígidas do que o que costumamos pensar. Quem é líder hoje pode perder essa posição de uma hora para outra – e mercados inteiros acabam sem que ninguém repare a onda vindo. 

Como resultado, pessoas, empresas e setores se veem obrigados a mudar suas culturas, formas de trabalhar e fontes de receita sem tempo para um grande planejamento prévio. Estar atento aos próximos movimentos – sejam eles vindos de uma nova legislação, como a LGPD, de uma doença misteriosa, como o coronavírus, ou movimentações naturais do setor ou da competição – é fundamental para quem quer se manter relevante no mercado.

Para que você se mantenha atualizado e pronto para lidar com esse tanto de mudanças, encerro esse texto com dois convites: o primeiro é que você volte neste espaço a cada duas semanas para acompanhar os debates que proponho sobre inovação, tecnologia e empreendedorismo (obrigado time da EXAME pelo convite para que eu me juntasse à equipe de colunistas). 

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