Os 7 livros que transformaram meu pensamento sobre cultura

A forma como determinado grupo de pessoas pensa é capaz de determinar os rumos que o grupo vai tomar. E isso vale também para o destino das empresas

Cultura é um tema intimamente ligado a inovação e empreendedorismo. A forma como determinado grupo de pessoas pensa e se comporta é capaz de determinar os rumos que o grupo vai tomar. E isso vale também para o destino das empresas, independente do porte e do setor. 

A curiosidade para entender o que conectava as equipes e empresas mais vitoriosas fez com que o estudo sobre como essas culturas se criam e se transformam se tornar um dos meus passatempos favoritos.

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Ao longo dessa jornada, me deparei com uma série de livros que me ajudaram a entender melhor esse aspecto crucial. Alguns são mais diretos e falam exatamente sobre como construir um espírito único entre os membros do time. Uns são explícitos quando falam de cultura corporativa, enquanto outros são correlatos e usam de associações e exemplos (especialmente ligados a esportes)

Outros tratam de aspectos fundamentais para isso, mesmo que não tenham sido escritos pensando na cultura corporativa em si.

Em um momento em que estou envolvido em um novo e fascinante projeto (na próxima coluna conto um pouco mais), a cultura se tornou um assunto ainda mais presente na minha rotina. Por isso, resolvi revisitar alguns dos livros que mais me ajudaram a pensar sobre o assunto - e quero compartilhar esses ensinamentos com você.

Você é o que você faz

Ben Horowitz é um dos principais investidores de risco do Vale do Silício. O fundo do qual faz parte, Andreessen Horowitz (a16z), esteve entre os primeiros apoiadores de startups como Instagram, Pinterest e Rappi. 

De tempos em tempos, Horowitz se dedica a escrever sobre algum aspecto fundamental para a construção de empresas de sucesso. O primeiro livro, “O lado difícil das coisas difíceis”, se tornou um clássico sobre gestão. Mas o livro que eu acho mais incrível é o recente “Você é o que você faz”. Ele aborda a criação e evolução de uma cultura usando exemplos muito além das empresas. 

Os relatos da única revolução escrava a dar certo no mundo, com Touissant de Louverture no Haiti, ou como Shaka Senghor liderou a gangue mais violenta dos presídios americanos e depois a orientou para a reabilitação de detentos, são um deleite para quem gosta e quer mergulhar em cultura. Exemplos vivos e perfeitamente aplicáveis. Para mim, o melhor livro sobre o tema.

A regra é não ter regras (+ Powerful)

Direto da fonte: Reed Hastings, CEO da Netflix, escreveu “A regra é não ter regras” em parceria com Erin Meyer, autora especializada na análise de culturas - e crítica de alguns elementos que compõem o método de trabalho da Netflix, como o fato de ele não ser facilmente replicável em culturas mais conservadoras e hierarquizadas. 

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Ao longo do livro, Hastings conta como foi criado o famoso modelo de trabalho da empresa - e como ele impactou de forma o negócio, tendo o papel fundamental para a criação de novos produtos e serviços da empresa, como a série House of Cards e a decisão de voltar atrás na iniciativa de separar a empresa em duas unidades de negócios, uma focada no aluguel de DVDs e outra nos serviços de streaming.

É um dos livros que eu comprei o exemplar físico e tenho dezenas de post-its colados nas páginas repletas de dicas acionáveis - mesmo que seja muito difícil copiar “as is” o modelo da companhia de streaming. 

A cultura da Netflix é tão estudada (e polêmica) que resolvi incluir aqui como “bônus” outro livro sobre o tema. Powerful narra os desafios e caminhos adotados por Patty McCord (diretora de RH da Netflix em seus primeiros anos) para criar uma cultura interna que se tornou referência em todo o mundo. 

Baseada no conceito de “liberdade e responsabilidade”, em que os funcionários não são cobrados por horas de trabalho (e podem tirar férias no momento e pelo tempo que acharem mais conveniente), mas são exigidos uma altíssima performance, a cultura da Netflix é sempre motivo de muito debate.

Onze anéis

Cultura é algo que vai muito além do mundo corporativo. Por isso é tão importante buscar referências em outros universos. Uma das minhas fontes favoritas de inspiração para isso é o mundo dos esportes. 

A história dos times e atletas vencedores sempre traz boas pistas de elementos que podemos trazer para nossa carreira. Nesta linha, a biografia de Phil Jackson, o técnico com mais títulos na história da NBA e maestro do Chicaco Bulls de Michael Jordan e do Los Angeles Lakers de Kobe Bryant, é uma verdadeira aula. 

Mais do que apenas os adversários em quadra, Jackson se valeu até de ritos tribais dos índios nativos norte-americanos para enfrentar os desafios que fazem parte da rotina de muitas empresas, como fazer jovens com passados difíceis aprenderem a colaborar entre si e a gestão de egos de grandes estrelas - além de Jordan e Kobe, ele treinou Shaquille O’Neal, Scottie Pippen e até o polêmico Dennis Rodman.

Bônus: vale muito a pena ver o documentário “A Última Dança”, que conta a história do ano derradeiro e da carreira de Michael Jordan, no Netflix. Ele mostra bem a importância de Phil Jackson. Outra série relacionada é The Playbook: Estratégias para Vencer (também disponível na Netflix),  em especial o episódio do Doc Rivers, ex-técnico do Boston Celtics. 

Equipes brilhantes

Também na linha dos livros que falam diretamente sobre a criação de culturas fortes, Equipes Brilhantes une uma série de pesquisas científicas com casos específicos de empresas e grupos que, mesmo quando formados por pessoas muito diferentes, agiam de forma extremamente coesa. 

São histórias que vão da Zappos (ecommerce de sapatos absorvido pela Amazon em 2009 e reconhecido pela qualidade do atendimento ao cliente) ao grupo de elite do Navy SEAL (a tropa da marinha americana responsável por missões altamente complexas, como a captura e morte de Osama Bin Laden).

Em comum, todos os casos demonstram o quanto uma cultura forte é capaz de aumentar a colaboração e a confiança entre as pessoas - um elemento fundamental para o surgimento de iniciativas mais inovadoras. 

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O Sistema Amazon

Se o assunto é a construção de cultura em empresas de tecnologia, os princípios transmitidos por Jeff Bezos para os funcionários da Amazon são sempre lembrados. 

Da obsessão pelo cliente ao eterno espírito do primeiro dia, os caminhos que levaram um simples ecommerce de livros a se tornar uma das empresas mais poderosas do mundo já foram bastante destrinchados. 

Neste livro, quem se debruça sobre a tarefa é Ram Charan, um dos gurus da administração, que procura entender como a cultura da Amazon  se aplica no dia a dia - e quais elementos dela podem ser replicados por qualquer negócio.

Sonho grande

Entre as empresas brasileiras, a Ambev é o caso mais clássico de cultura forte. Neste livro a jornalista Cristiane Correa detalha a história de Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira (o trio responsável pela construção da empresa e que hoje, além da cervejaria, detém três das marcas mais valiosas dos Estados Unidos: Budweiser, Burger King e Heinz) e como eles construíram uma cultura corporativa conhecida pelo culto à eficiência - e pelas polêmicas relacionadas ao grau de pressão exercido sobre quem não se adequa ao modelo defendido.

Responsabilidade Extrema

Outro espaço fascinante para quem quer estudar mais sobre cultura é o exército. É de lá que Jocko Willink e Leif Babin tiram as lições de liderança que apresentam neste livro. Os dois foram oficiais do Navy SEAL (a elite da Marinha americana) e comandaram seus times em alguns dos campos de batalha mais sangrentos do mundo durante a Guerra do Iraque. 

Após se aposentarem do exército, os autores notaram que os mesmos elementos que garantem a coesão de uma tropa podem ser muito úteis para garantir a consistência dentro de uma empresa - e construção de times que saibam assumir a responsabilidade pelo cumprimento das missões que recebem. 

Disclaimer: não existe fórmula pronta

Por mais que eu admire as culturas da Netflix, da Ambev, da Amazon, dos times da NBA ou do exército, um ponto que sempre fica claro quando leio sobre como as referências do mercado fizeram para construir culturas fortes: como em quase tudo no mundo dos negócios, não há fórmula pronta ou um modelo que sirva para qualquer empresa.

O caminho é descobrir quais elementos daquela cultura podem fazer parte do seu dia a dia e vão contribuir para o cumprimento dos seus maiores objetivos. É este entendimento que leva à construção de culturas que, de fato, guiam o processo de tomada de decisão - e não são apenas algumas frases bonitas escritas na parede.

E você: quais são os livros que mais recomenda sobre cultura?

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