Construir, medir e aprender: como aplicar o princípio de inovação também na sua vida?

O tanto que ganhamos de eficiência ao deixar de insistir em práticas que não trazem os resultados esperados faz com que logo a gente tenha dificuldade de pensar de outra forma - seja dentro ou fora do escritório

A metodologia Lean é uma das mais recomendadas quando falamos de inovação, processos e melhoria para organizações. O modelo enxuto é protagonista de uma revolução na forma como pessoas e empresas trabalham para inovar mais rápido. 

Com origem japonesa, o Lean foi visto pela primeira vez nas fábricas da Toyota, quando a empresa resolveu adaptar seu modelo de produção de carros para um formato que minimiza o desperdício e o estoque “parado”, e aumenta a previsibilidade do resultado, lá na década de 1950. 

Mas desde a explosão das empresas de tecnologia e startups, o modelo enxuto ganhou nova dimensão, expressada pelo autor Eric Ries em seu livro Lean Startup (ou A Startup Enxuta, na versão em português), e praticado nos diversos escritórios e garagens de empresas inovadoras. 

A essência do modelo se divide em alguns pilares:

  1. Uso racional de recursos, de maneira a evitar desperdícios 
  2. Ter a visão grande, começar pequeno e escalar rápido
  3. Cliente no centro e com contato constante
  4. Tomada de decisão com base em dados 
  5. Visão mais científica, tratando as coisas como hipóteses
  6. Entregar o máximo de resultado para o cliente com o mínimo de recursos/esforço
  7. Ciclos rápidos de feedback e aprendizado – construir, medir e aprender

Em um resumo, é você conseguir entregar mais valor, com um produto/serviço que faça sentido e resolva as dores do teu cliente, e aprendendo e melhorando de maneira mais ágil e com intervalos menores entre cada iteração. 

Quando comecei a trabalhar usando o método enxuto, não precisei de muito tempo para ver o impacto gigante que tinha nos projetos que tocava. Entregas que em experiências anteriores demorariam meses para chegar às mãos dos clientes ficavam prontas em apenas algumas semanas – e com maior aderência ao que estes consumidores queriam.

Empresas gigantes como Spotify, Vivo e Gol (o caso é apresentado em uma das aulas do curso Inovação na Prática) conseguem aumentar receita e melhorar a experiência do cliente ao implementar o Lean e as Metodologias Ágeis. 

Eu obtive sucesso ao operar profissionalmente com a filosofia enxuta. O resultado foi tão impactante que comecei a pensar o quanto seria possível adotar aquela filosofia em outras áreas da minha vida. 

Então me perguntei: será que é possível ter resultados semelhantes aplicados à minha carreira e meus objetivos pessoais? (Spoiler: sim, é possível!)

Comecei a fazer alguns testes, trabalhando desde a forma como resolvia dilemas profissionais até a busca por uma forma mais eficiente de lavar a louça, e vi que mais do que uma metodologia para gerir projetos, áreas e empresas, o Lean pode ser encarado como um modelo mental, uma filosofia de vida.

O tanto que ganhamos de eficiência ao deixar de insistir em práticas que não trazem os resultados esperados faz com que logo a gente tenha dificuldade de pensar de outra forma – seja dentro ou fora do escritório. 

No fim das contas, ao nos mostrarmos mais abertos para a experimentação, ganhamos também uma boa dose de autoconhecimento. Eu ainda estou aprendendo de maneira contínua e com ciclos ágeis, mas consegui alguns insights legais a compartilhar. 

Como aplicar o lean na rotina?

Mas como trazer, na prática, o lean para sua vida? Aqui vão algumas técnicas que usei e que recomendo:

  • Esteja aberto ao erro – e aprenda sempre com ele

Ter uma cultura de teste é parte da essência do modelo lean – e todo teste implica na possibilidade de não atingir a resposta esperada. Dissociar uma resposta diferente da que esperamos do erro puro e simples é um passo muito importante: o fato de não atingir o resultado planejado costuma vir acompanhado de uma série de aprendizados que podem ser aplicados em outros momentos e projetos – e aí sim, ter êxito. 

  • Medir é fundamental para aprender

Uma das principais coisas que mudei na minha vida ao começar a aplicar o lean foi desenvolver um olhar mais refinado para métricas. Cada indicador é evidência de uma história, e toda ideia, plano ou objetivo tem como ser medido, seja de maneira quantitativa ou qualitativa. 

Uma métrica te ajuda a responder perguntas críticas como “O que me diz se isso é verdade?” e “Como sei que estou melhorando?”, entre outras. Buscar um indicador de sucesso te ajuda a eliminar subjetividades e ser mais claro na tomada de decisão. 

  • Crie um acompanhamento visual

Acompanhar visualmente os projetos e iniciativas traz muita clareza sobre o que deve ser prioridade no momento, o que pode ficar para depois e o que se tornou gargalo ou ponto crítico. 

Desde as metas pessoais, que eu acompanho em uma planilha (mas em 2021 vou me adaptar ao MAPA feito pela ACE e Exame Academy), até tarefas, projetos e iniciativas pessoais que você pode usar calendários, listas de tarefas, ou até um Kanban. 

Como lidar com os desafios?

Quem já passou pelo processo de implementação do Lean em uma empresa sabe que nem sempre é fácil. A resistência à mudança costuma ser forte e é muito mais fácil voltar às velhas práticas. Ao adotar o lean como modelo mental na vida pessoal ou na carreira enfrentamos desafios do mesmo tipo.

No livro “Hooked: Como construir produtos e serviços formadores de hábitos”, o autor Nir Eyal diz que mudar nossos costumes sempre requer esforços deliberados por um motivo bastante simples: hábitos seguem um conceito comum aos universos da programação e da logística, o “Last In, First Out” (ou último a entrar, primeiro a sair, em português).

Pelo princípio do LIFO, como também é conhecido, aquilo que chega por último é que deve sair primeiro (ser vendido, no caso da gestão de estoques). Nossa mente processa mais ou menos a mesma lógica com os hábitos: aqueles que adquirimos por último tendem a ser os mais fáceis de se perder – afinal ainda não estão plenamente enraizados e requerem um bom grau de esforço da nossa parte para sua execução.

Para contornar esse desafio, a primeira lição é já abraçar o lean logo de cara e testar as abordagens que funcionam melhor para você. Provavelmente você vai descobrir ao longo do processo qual a melhor forma para traçar as métricas que vai acompanhar ou a melhor ferramenta para realizar o acompanhamento visual (na Exame Academy desenvolvemos uma que pode te ajudar bastante nesse processo, o MAPA). Mas, como o lean ensina, é justamente a abertura ao teste e ao erro que vai te permitir encontrar as respostas certas.

Boa jornada!

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