Nova gestão na LNB prioriza ampla visão de negócios para o NBB

Em primeira entrevista exclusiva desde a posse, nova presidência da Liga Nacional de Basquete comenta sobre expectativas e estratégias para o futuro do NBB: "A paixão por muito tempo foi suficiente para o esporte sobreviver, mas o futuro depende de inteligência e eficiência para que consiga agregar pilares de paixão e capacidade econômica."

Anunciada no dia 15 de dezembro de 2020, a nova presidência da LNB inicia seu mandato em 2021 com duração de dois anos. Para Presidente foi escolhido o carioca Delano Franco, mestre em economia, e para a Vice-presidência, Carlos Donzelli, graduado em administração e especializado em Gestão Avançada, nascido em Franca (SP), cidade que respira basquete.

A dupla ressalta que uniram o amor pelo esporte a uma visão de negócios para concluir seus objetivos em relação as próximas temporadas. Aqui você confere a entrevista com os novos comandantes sobre a NBB e as expectativas para o Jogo das Estrelas:

Vinicius Lordello - Esporte Executivo: O sucesso da NBB é crescente. Vocês tem um desafio agora porque, se antes uma excelente gestão para a modalidade era exceção, agora é regra. Como lidar com esse desafio?

Delano/Presidente: A liga tem um passado e presente de muito sucesso, uma história rara no esporte brasileiro, onde foi construída do zero e teve uma continuidade com um ambiente democrático. E com todas essas coisas juntas vemos como são características raras no cenário brasileiro.

Esse caminho foi trilhado por pessoas intimamente ligadas ao basquete, os jogadores, dirigentes, técnicos resolveram transformar esse aspecto do basquete, em uma liga. Foram pessoas que fizeram essa história de maneira louvável, debaixo de vários sacrifícios e que foi estruturada com o tempo, com apoio de outras entidades como a NBA. E tudo isso desembocou no momento que estamos agora, com sucesso. O nosso papel hoje, não é construir uma estratégia de uma entidade que não está indo bem, mas dar passos para sustentar esse sucesso.

Donzelli/VP: Foi entendido pelos clubes que fazem parte da Liga que valia a pena a gente ter uma presidência com duas pessoas com o perfil mais de negócios, gerencia e economia, que adoram o esporte, que viveram no basquete e possuem uma vida profissional que trouxesse uma visão diferente e organizacional. Claro, a Liga é extremamente democrática, então, as decisões são tomadas por um conselho que são os clubes. Nós montamos uma diretoria voluntária que mistura pessoas que tem uma contribuição de comunicação, e de quem já tem vivência no basquete. E também temos a força de um corpo técnico altamente qualificado”.

 

Esporte Executivo: Quais os grandes desafios ao assumir a NBB em meio a uma pandemia?

Delano/Presidente: O momento nos traz desafios de curto e médio prazo. No curto com o pós-pandemia, onde a economia como um todo sofreu. Nós não conseguimos terminar o NBB ano passado, o Jogo das Estrelas foi cancelado e Ligas com crises financeiras. Na nova temporada com um protocolo rígido, muito bem estudado, os resultados serão muito bons.

O Jogo das Estrelas retomaremos com caráter muito mais social do que festivo. Teremos ações com os patrocinadores em razões sociais, e será simbólico por uma causa de ajuda a situação do Covid, agregando com iniciativas de ajuda à saúde.

Nós gostamos de pensar em algo que chamamos de “ecossistema” da Liga, a gestão, os clubes que participam e suas bases, toda a gama de patrocinadores e entidades que colaboram com a nossa marca e todos que participam da infraestrutura dos eventos. Os nossos jogos simbolizam todo esse mundo que gira em volta.  O Covid afetou muita coisa, um sofrimento muito grande para o mundo. O basquete tem um caráter de social e de atitude, e iremos inserir o evento nesse contexto, não ignorando o que está acontecendo. E estamos felizes que os atletas, clubes e patrocinadores apoiaram essa ideia.

De médio prazo é fortalecer a Liga economicamente, agregar produto. Hoje o marketing é muito diferente do que já foi, e iremos avançar nessa parte de transmissão multicanal.

Donzelli/VP: Do ponto de vista financeiro é conseguir avançar nos resultados como um todo. Fazer com que a franquia seja mais valiosa, entregar um valor maior aos clubes. Queremos chegar no final desses dois anos e ver que desenvolvemos bem, que passamos pela turbulência do Covid e estamos em uma situação financeira adequada para que a Liga tenha tranquilidade e estabilidade para viver, o que é natural, suas próximas turbulências.

Esporte Executivo: Os clubes têm a compreensão que para a Liga funcionar eles precisam pensar coletivamente? Existe uma conexão sem ser pelos jogos?

Delano/Presidente: Não podemos deixar a paixão cegar os olhos em relação à organização. O nosso grande desafio a longo prazo é conseguir que o nosso produto final se torne algo atrativo para que mais pessoas queiram estar por perto. Nós fazemos comitês de marketing para que os clubes que estão se saindo melhor nas práticas tragam caminhos e seus resultados. Fazemos seminários e videoconferência.

A paixão por muito tempo foi suficiente para o esporte sobreviver, mas o futuro depende de inteligência e eficiência para que consiga agregar pilares de paixão e capacidade econômica. A gente busca equidade entre as equipes, respeitando as diferenças de cada um. Nós temos o entendimento que o sucesso depende de todos.

Donzelli/VP: Eu fico feliz vendo tudo que vivemos ano passado e estamos vivendo, com tudo que a sociedade está sentindo, nunca perdemos a unidade. Nós estamos tendo uma evolução, e temos maturidade em saber que ela não é igual para todos, e temos clubes indo na mesma direção. O mundo mudou e a Liga está se ajustando, sem desvalorizar tudo que foi feito até agora. Hoje vemos clubes menores fazendo frente para clubes maiores, porque tem princípio de gestão. A camisa não carrega mais o clube pois as formas de relacionamento entre as organizações mudaram.

Esporte Executivo: Qual a marca pessoal que vocês pensam em deixar na Liga?

Delano/Presidente: Uma coisa que me incomoda e se conseguirmos andar um pouco é a questão que a Liga todo ano começa economicamente do zero, nunca tivemos grandes problemas econômicos, mas fechamos uma temporada e abrimos uma outra para suprir o orçamento do mesmo ano. Nós gostaríamos de construir recursos de reserva, ter um dinheiro guardado no caixa que não fosse utilizado para fazer frente com mais tranquilidade, e melhorar a organização visando o cenário do nosso país.

Donzelli/VP: Meu sonho, um caminho a ser trilhado, que é a gente pare de falar patrocínio e passe a falar de investimento. Olhar para a NBB como investimento. Estamos segmentando para que os próximos mandatos consigam ter esse plano e estabilizar o basquete brasileiro nos patamares que ele merece.

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