netPDV mira atuação em países com maior controle de pandemia

Gestão ineficaz da epidemia e contexto político-econômico brasileiro reforçam tendência de ampliação de investimentos no exterior

O mundo e o mercado não estavam preparados para a pandemia de Covid-19, muito menos para a longa duração dela, com poucas perspectivas de fim em breve. Buscando alternativas, a netPDV, uma das principais empresas da América Latina em tecnologias cashless para entretenimento e esporte, resolveu buscar soluções no exterior para superar as adversidades impostas. A companhia implementou novas tecnologias no banco Santander, em Portugal, e pretende continuar expandindo suas ações fora do país. Especializada em momentos de entretenimento, e o Esporte é assim considerado, a netPDV já atuava na entrega de novas experiências em países como Espanha, Estados Unidos, Uruguai e Peru, mas intensificou esse movimento por conta da epidemia e das incertezas no Brasil.

Enquanto no Brasil a retomada à normalidade parece um sonho distante, países como Estados Unidos, Austrália, Nova Zelândia e Israel já iniciam retorno com eventos, restaurantes, grandes shows e até turnês. Isso só se tornou possível em virtude do combate eficaz ao avanço do covid-19 nesses territórios. Em Portugal, foi estabelecida nesta semana a terceira fase de um plano de desconfinamento gradativo, com a reabertura de restaurantes ao ar livre, bares, museus e escolas. O país enfrentou um período de restrições consequente das confraternizações de final de ano, mas já iniciou o processo de recomeço das atividades.

Bruno Lindoso, CEO da netPDV, falou sobre a parceria estabelecida no país e comentou a atuação da empresa durante as paralisações. “Nós atuamos durante a pandemia preparando a nossa estrutura para que a empresa se tornasse global. A parceria com o Santander é uma abertura para o mercado europeu, nossa expectativa é conquistar novas oportunidades no exterior e internacionalizar a netPDV”, pontuou o executivo. Na opinião de Lindoso, essa é uma estratégia que deve ser adotada por outras companhias: “É de extrema importância estar atento a novos mercados. Portugal foi um país que apresentou, de acordo com a APSTE (Associação Portuguesa de Serviços Técnicos para Eventos), um faturamento de 140 milhões de euros com eventos em 2019. Há países com taxas avançadas de vacinação e perspectivas breves de retorno à normalidade, isso deve ser analisado pelas empresas brasileiras”, ressaltou.

A crise provocada pela pandemia de Covid-19 acelerou o processo de internacionalização das empresas nacionais. As companhias têm realizado novas parcerias no cenário externo com o objetivo de expandir seus mercados de atuação e não depender exclusivamente da economia brasileira. De acordo com dados do Panorama Econômico Mundial, publicado pelo FMI (Fundo Monetário Internacional), a perspectiva de crescimento da economia global para este ano está em 6%, enquanto a brasileira deve atingir a marca de 3,7%. O estudo também prevê que o Brasil seja um dos únicos países do Ocidente a fechar o ano de 2021 com uma taxa de desemprego maior do que a de 2020.

Essa tendência empresarial de expansão das atividades no exterior, provocada pela instabilidade política e econômica do mercado interno, já existia antes do cenário epidêmico. A pesquisa “Trajetórias de Internacionalização das Empresas Brasileiras”, realizada pela Fundação Dom Cabral em 2018, revelou que 71,9% das empresas brasileiras com atuação no exterior ampliaram seus investimentos no cenário internacional, enquanto apenas 39% aumentaram suas aplicações no mercado nacional. A administração ineficiente da pandemia, com altos índices de mortes e lentidão nas vacinações, acelerou esse movimento das companhias brasileiras de buscarem novas oportunidades em outros países.

Claramente, as ações tomadas por cada empresa dentro das estratégias de expansão no mercado externo apresentam respostas variadas, que diferem de acordo com o setor de funcionamento da empresa, o porte, os produtos e as oportunidades de negócio. Inúmeros fatores influenciam nas decisões e movimentações empresariais e nas decisões das companhias. Realidade tributária, possibilidades de isenção de impostos, perspectiva nacional de crescimento econômico e custos de operação são fatores cruciais na definição do futuro de cada empresa. Desse modo, cada organização faz uma análise detalhada acerca das perspectivas de atuação nos mercados externos e internos e estabelece um planejamento que vá de encontro aos seus objetivos.

Por esse prisma, tendo em vista o impacto da Covid-19 na economia global, os países que conseguirem retomar a normalidade de maneira antecipada serão mais atrativos aos investidores e sofrerão consequências econômicas menores. A tendência é que, caso a situação da pandemia no Brasil não seja controlada, o movimento de internacionalização das empresas, existente antes mesmo da crise provocada pela pandemia, será potencializado. O fato de o Brasil ter uma perspectiva de crescimento econômico inferior à expectativa global para o ano de 2021 confirma uma conjuntura favorável à ampliação de aplicações em países estrangeiros por parte das empresas brasileiras. E nosso Esporte, que tinha tudo para surfar nessa onda, deve encarar mais um período de defasagem no desenvolvimento de seu entretenimento.

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