“Corinthians pode ser ainda mais afetado pela pandemia”, aponta BDO

Os principais impactos no curto, médio e longo prazo, além das possíveis soluções imediatas, na visão da BDO para o esporte brasileiro

Que a sociedade acompanha sua história recente sendo reescrita não há dúvidas. A “gripezinha” que já matou dezenas de milhares de pessoas mundo afora forçou uma parada necessária para que os números não sejam ainda mais devastadores. A Economia ainda não consegue vislumbrar, no curto prazo, o tamanho do estrago gerado. E embora não seja essa a prioridade do momento, é natural que se tenha preocupações também nesse sentido.

O Esporte nacional também não passará ileso. E se tínhamos dificuldades na gestão da modalidade mais popular do Brasil antes da COVID-19, isso ficará ainda mais evidente após a pandemia. Conversamos com Carlos Aragaki, sócio da área de Esporte Total da Consultoria BDO. O cenário, para ele, está longe de ser confortável. E cita o Corinthians, no Brasil, como um dos clubes mais prejudicados pela pandemia. 

Quais são os principais impactos no curto e médio/longo prazo que a Covid-19 traz para os clubes de futebol do país?

O principal player está suspendendo os pagamentos de campeonatos regionais pela ausência de jogos. Muitos patrocinadores estão rompendo contratos visto que não há exposição da marca e o futebol não é o foco prioritário para o momento. A bilheteria afeta imediatamente o caixa e receitas dos clubes. Os royalties são afetados pois não há venda física dos produtos licenciados dos clubes. Mesmo na venda virtual, não há nesse momento grandes motivações para que os torcedores comprem produtos.

Pensando nos impactos de médio e longo prazo, temos inicialmente a possibilidade de revisão de contratos de transmissão. A principal competição do Brasil (Campeonato Brasileiro) e a mais rentável (Copa do Brasil) podem ter os prazos encurtados e consequente redução dos valores a serem pagos conforme os jogos não se iniciarem até o mês de junho/20.

Há ainda a possibilidade de duplo impacto na negociação de atletas. Primeiro pela falta de exibição e exposição dos jogadores para viabilizar as contratações, segundo pelo fato que o mercado europeu que atualmente renegocia a redução dos salários milionários dos atletas, certamente irá rever a política de contratações até que as contas se ajustem. No aspecto custo, alguns clubes tem e terão dificuldades para honrar salários atrasados, agora com a crise do COVID 19, pagar o corrente, com os encargos e com as receitas reduzindo, o risco de inadimplência é iminente. E pela falta de caixa, há o risco de não pagamento das parcelas do PROFUT e consequente eliminação do maior programa de parcelamento fiscal das dívidas dos clubes. Vejamos ainda o Corinthians que, neste caso, tem toda receita da Arena Corinthians transferida para o fundo Arena Fundo FII para gestão do serviço da dívida. Se não tem receita, pode ser ainda mais afetado que os demais.

O Corinthians pode ser ainda mais afetado por este momento diante do perfil de pagamento da enorme dívida que tem pela Arena?

Com a ausência dessa receita, há risco de inadimplência e consequente aumento da dívida por conta dos juros. Requer imediata negociação com os bancos credores. A bilheteria afeta imediatamente o caixa e receitas dos clubes. Particularmente o Corinthians sente esse impacto pois as receitas da Arena Corinthians vão para o serviço da dívida por transferência para o fundo que administra o Estádio. Caso não negocie com os bancos, não somente perde receitas como pode ter o impacto de juros pelo atraso no pagamento das parcelas da Dívida da Arena.

Quais são as soluções que você enxerga para que, num curto prazo, os clubes minimizem os fortes impactos que estão sofrendo?

Antecipação geral das férias para que se ganha uma janela em dezembro e até eventualmente janeiro de 2021 para finalização dos campeonatos integralmente e consequente manutenção das receitas de transmissão. É importante também a redução salarial e dos contratos de imagem. Renegociação de todos os contratos – Transmissão, patrocínios, royalties, fornecedores de material etc. E fundamentalmente um apelo nas redes sociais para que os sócios torcedores não abandonem o clube nesse momento, mantendo se adimplentes.

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