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Volta ao trabalho presencial também requer inovação

Um dos grandes desafios do momento está justamente em preservar esta cultura empresarial e conciliar as agendas individuais com os objetivos da empresa

Por: Cris Arcangeli

Aos poucos a vida volta ao normal. Ou a um “novo” normal. Vacinação, medidas de segurança, queda dos índices de contaminação, novos formatos de relações profissionais, tudo isso é resultado de um longo aprendizado compulsório, imposto a todos nós por um vírus que tomou o mundo de improviso e causou sérias consequências.

O isolamento social levou à improvisação do trabalho em casa, ou ao home-office, que demandou muita força de adaptação, tanto das empresas como de seus funcionários. Mas chegou a hora de voltarmos aos escritórios, seja no formato tradicional, seja no formato híbrido. O equilíbrio, e a criação de um padrão próprio, depende de cada um.

Considero extremamente necessário falarmos sobre os aspectos positivos deste retorno para a retomada e o fomento do mercado e das relações comerciais. O trabalho presencial, flexível ou tradicional, com a separação dos ambientes das relações pessoais e das profissionais, somente gera benefícios, como aumento do foco, concentração, socialização, geração de insights e inputs.

A vida corporativa está sendo retomada e é real. É uma tendência mundial. Os principais escritórios multinacionais localizados no Itaim, na Faria Lima, nas Nações Unidas, no World Trade Center, entre outros, estão promovendo gradativamente o retorno de seus funcionários. Uma pesquisa feita pela consultoria KPMG mostra que 52% das empresas têm a intenção de trazer de volta seus colaboradores ainda em 2021; 40% vão promover a retomada no primeiro semestre do próximo ano e somente 8% têm planos para o segundo semestre de 2022.

A maioria pretende implantar um formado híbrido, com trabalho em casa alguns dias por semana. Todas têm em comum a manutenção de regras de combate à contaminação pelo vírus Covid 19, com orientações sobre uso de máscaras e álcool gel, distanciamento em ambientes internos e consequente redução de pessoal.

E as pessoas? O que querem? Muitas pesquisas mostram que a volta será um momento considerado difícil, seja pela reacomodação do ambiente familiar e das tarefas domésticas, seja pela necessidade de “se vestir” para ir ao trabalho e pelo deslocamento, de carro ou utilizando transporte público, com filas, congestionamentos e tempo gasto nessas idas e vindas.

Por isso muitas empresas consideram o formato híbrido mais eficaz, equilibrando o trabalho remoto e o presencial. Não podemos esquecer das vantagens da socialização, principalmente depois de mais de um ano em trabalho remoto e, muitas vezes, solitário. Enquanto algumas pessoas acreditam ser mais produtivas e focadas, sabemos que a convivência entre as equipes, as conversas informais e dividir o dia a dia com os colegas é muito agregador.

Alinhamento

O retorno presencial das empresas também é um momento de INOVAÇÃO. Não basta seguir todos os protocolos de segurança, garantir espaços e estruturas seguros, ter a vacinação em dia. Há fatores psicológicos que somente podem ser superados com transparência de ações e alinhamento entre gestores e colaboradores. Não há um único formato para todos, nem um modelo ideal e único. Tudo depende de decisões coerentes e ponderadas, diálogo e análise das possibilidades mais produtivas para todos.

O retorno aos escritórios é importante e necessário, mas demanda estratégias e planos de ações fundamentadas num processo que leve em conta cada empresa e segmento com suas particularidades, sua cultura, seus objetivos e relacionamento com os funcionários. A pandemia nos ensinou que as relações entre empregados e empregador não se baseiam somente nos contratos assinados, mas em valores e objetivos comuns, levando em consideração ambas as partes. É um momento de aprendizado, de retomada da convivência e de novos paradigmas.

Modelo híbrido apresenta desafio para colaboradores e lideranças

“Outro dia, li que o modelo híbrido é desigual por natureza. E é isso mesmo” pontua a psicóloga especialista em Desenvolvimento Humano, Mônica Camargo Tracanella. “Precisamos tomar cuidado com a possível sensação de falta de pertencimento, com aquelas decisões que acabam acontecendo de maneira informal nos corredores, sem a possível participação de todos. A falta de interação ao vivo com a liderança não pode prejudicar as relações e muito menos as avaliações: os líderes precisarão focar na entrega e não na presença. Será necessário democratizar o acesso à liderança no modelo híbrido e, da parte dos líderes, saber se ausentar em momentos em que o fluxo de trabalho estiver favorável, mostrando que não estar presente fisicamente é possível e que está tudo bem”.

“Durante a parte mais crítica da pandemia muitas pessoas experimentaram a liberdade de trabalhar de onde queriam ou podiam e como queriam. Muitos gostaram muito desta “sensação de liberdade” e não conseguem imaginar como seria voltar ao modelo anterior”, comenta a psicóloga.

Ela pontua que, por outro lado, os funcionários perderam algo muito importante que acontecia no expediente presencial: “a interação, a troca e a aprendizagem on the job. Mais que isso: acabamos conhecendo a fragilidade da divisão e do equilíbrio do tempo e muita gente ficou 100% disponível para o trabalho”. Assim, acredita, as organizações terão de estruturar a interações e trocas de experiência, que voltarão a acontecer mesmo num modelo híbrido.

Ajustes

“Não se trata simplesmente de voltar ao trabalho presencial. Quem voltar também precisará se ajustar para trabalhar com quem está longe, ou seja, será um novo aprendizado para todos”, completa Mônica.  O modelo híbrido pode ser mais desafiador que o 100% remoto. “Esta nova forma exigirá uma revisão de funções, para as empresas poderem avaliar em quais momentos, onde e quem deverá trabalhar presencialmente e quais colaboradores poderão continuar remotamente. Vale lembrar que home office é diferente de remote office, que é a grande tendência global e significa como a pessoa trabalha e não onde ela está”, alerta.

Quando a pandemia se instalou, o chamado home office trouxe a sensação de estarmos “always on”, ou seja, o sentimento de termos que ficar disponíveis on line a todo momento. “Além disso, muitas pessoas levaram tempo para se organizar, esquematizar suas rotinas pessoais e familiares para poder trabalhar de maneira produtiva”, lembra. “Agora é preciso tempo e organização para que estas pessoas possam se reorganizar e o momento de cada um deve ser respeitado”.

Com relação aos impactos da falta de convivência diária com colegas e superiores é fundamental estar no mesmo ambiente físico “pois a curva de aprendizado e muitas decisões tendem a ser mais rápidas no presencial, onde acontecem interações, trocas e até mesmo aquele bate-papo no cafezinho ou em momentos mais informais.  A convivência também é essencial para a disseminação e manutenção da cultura das empresas”.

Um dos grandes desafios do momento está justamente em preservar esta cultura empresarial e conciliar as agendas individuais com os objetivos da empresa, em dar visibilidade e medir produtividade de quem está em trabalho remoto. “Algumas pesquisas demonstram que, no geral, a alta liderança prefere o trabalho presencial, enquanto a média liderança acredita em manter o home office. “O desafio é maior ainda para os colaboradores em início de carreira ou são novos na empresa, pois estes funcionários demandam muito mais do contato com os profissionais mais seniores”.

Eu sou a favor do retorno presencial, e você?

Um beijo e até a próxima!

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