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Todo CEO precisa ter metas ambientais, sociais e de governança

Atingir as 169 metas contratadas pela humanidade na Agenda 2030 da ONU é ainda mais desafiador do que pensar em ir à lua no início da década de 1960

Em 12 de setembro de 1962, o presidente J. F. Kennedy proferiu o famoso discurso de lançamento do desafio de levar a humanidade à lua e retornar em segurança. Feito tão grande quanto clichê de comparar grandes desafios ao Programa Apollo. Por isso mesmo, me permitirei usá-lo.

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O mais significativo nesse processo foi a coragem de um grande líder em guiar seu país a um feito que mudaria a história. “Nós escolhemos ir à lua”, Kennedy disse. A escolha não era óbvia, uma vez que ele estava bastante pressionado por vários temas, como direitos civis e, posteriormente, a Guerra do Vietnã.

Em resposta à carta da jovem Mary Lou Reitler - 13 anos de idade – o governo americano deixa claro que o conhecimento acumulado e os avanços tecnológicos pagariam os bilhões de dólares investidos e a atenção dedicada.

Aqui começam as diferenças abissais entre ir à lua há 50 anos e buscar a prosperidade compartilhada entre todas as pessoas e entre o ser humano e a natureza. Não temos tempo pois já ultrapassamos vários dos limites planetários e, por isso, a sociedade já perdeu a paciência. Biodiversidade sendo exterminada a taxas altíssimas, eventos climáticos cada vez mais extremos e frequentes, desigualdade recorde, pobreza galopante e, como consequência, crise na governança global e instabilidade social e política em quase metade dos países ao redor do globo.

Precisamos incluir os limites planetários na construção de um novo modelo de desenvolvimento socioeconômico, como alerta a economista Kate Raworth.

Numa tentativa moonshot de tirar-nos do buraco que nos metemos como homo sapiens – homem sábio – a humanidade no âmbito das Nações Unidas criou a Agenda 2030 com 17 objetivos e 169 metas.

Nos dias atuais, a crise de liderança é inquestionável. Governos e governantes desacreditados, profunda crise intergeracional e clara desconfiança no nosso sistema econômico em metamorfose – economia de shareholders para stakeholders. Paradoxalmente, as pessoas contam com empresas e líderes empresariais para mudar o quadro atual.

A liderança do setor privado pode ajudar significativamente por meio da sua influência junto aos governos, seus funcionários e a população em geral. No entanto, sejamos claros. Precisamos da atuação efetiva das empresas, voltada a impactos positivos ambiciosos e mensuráveis.

Outro clichê mercadológico é dizer que “quem tem 169 metas, não tem nenhuma”. Justo.

A palavra clichê é uma onomatopeia, imitando o som de uma coisa batendo na outra, uma placa de impressão ou barulho da guilhotina – clic. Remete à repetição, lugar comum.

Por isso, quero insistir em um ponto. Desconheço empresa que não estabeleça metas, corporativas ou para seu corpo executivo, para atingir seus objetivos financeiros, satisfação de clientes, clima organizacional ou outros objetivos de um clássico balanced scorecard. Então, entendo que seja insofismável a necessidade de se estabelecer metas para os temas relacionados às questões ambientais, sociais ou governança.

Num estudo com mais de 2000 CEOs o Pacto Global das Nações Unidas percebeu um gap retórico. Enquanto mais de 90% dos CEOs dizem que fatores ESG são críticos para o negócio, apenas 25% acreditam que estão fazendo o suficiente.

Temos iniciativas e acúmulo de conhecimento suficientes para saber o que fazer e como fazer. Precisamos agir, norteados por metas de longo e curto prazos.

A sociedade e o setor financeiro cobrarão diferentes temas para cada setor e empresa. No entanto, o Pacto Global propõe 10 metas para 2030. Equilíbrio de gênero, impacto hídrico positivo, meta de carbono baseada na ciência, 100% dos funcionários com salário digno, zero resíduos em aterros, descarga zero de poluentes, 100% de insumos sustentáveis, 100% de recuperação de recursos, desmatamento zero e eliminação de todas as formas de corrupção.

O Secretário Geral das Nações Unidas é muito claro: “O que precisamos não é de uma abordagem progressiva, mas de uma abordagem transformacional. E precisamos que as empresas se unam por trás da ciência, tomando medidas rápidas e ambiciosas em suas operações e cadeias de valor.”

O gigante Guerreiro Ramos traz que “a nova ciência das organizações não é realmente nova, é tão velha quanto o senso comum. O que é novo são as circunstâncias, nas quais precisamos escutar ao nosso eu mais íntimo". Se quisermos vencer como espécie, precisamos encarar esse desafio moonshot, nos responsabilizar e colocar força total em nossas ações e em nossas empresas.

Que o clic escutado seja do atingimento constante das metas e não da guilhotina a ceifar nosso futuro.

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*Rodolfo Sirol é presidente do conselho de administração da Rede Brasil do Pacto Global 

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