Banco Central seleciona projetos em blockchain em laboratório de inovação

LIFT selecionou projetos baseados em blockchain que 'têm potencial de ajudar na modernização do sistema financeiro nacional'
 (Westend61/Getty Images)
(Westend61/Getty Images)
Por Cointelegraph BrasilPublicado em 13/11/2020 15:28 | Última atualização em 13/11/2020 15:28Tempo de Leitura: 4 min de leitura

O Banco Central do Brasil selecionou, dentro do Laboratório de Inovações Financeiras e Tecnológicas (LIFT), dois projetos baseados em blockchain que, segundo a instituição, "têm potencial de ajudar na modernização do sistema financeiro nacional".

Um dos projetos selecionados pelo BC foi o "Preks", software que une três tecnologias — assinatura digital, registro em blockchain e conta escrow —, e se propõe a resolver os problemas da cessão de precatórios, criando um novo mercado secundário de precatórios mais justo, flexível, ágil e transparente.

Alem dele, também foi selecioando dentro do LIFT o "ReConID", que tem por objetivo desenvolver uma solução de compartilhamento de dados cadastrais e de transações de clientes para a Fase II do open banking no Brasil, baseado em um sistema DLT.

Os projetos selecionados serão apresentados no ano que vem em evento a ser realizado pelo BC, e podem ter suas soluções incorporadas ao Sistema Financeiro Nacional, como aconteceu com o Saxperto, criado por um dos fundadores do Mercado Bitcoin, Rodrigo Batista, e que integrará o Pix.

Banco Central

Na edição de 2020 do LIFT, o Banco Central destaca que recebeu 67 inscrições de todas as regiões do Brasil, além de quatro projetos do exterior. Desses, 25 foram selecionados para a fase de desenvolvimento. Neste ano, o programa bateu recorde de entrega: 21 projetos alcançaram a fase final, entre 25 selecionados inicialmente.

Criado para incentivar o desenvolvimento de projetos que propõem inovações tecnológicas no Sistema Financeiro Nacional (SFN), o LIFT reflete, em sua edição de 2020, o avanço na transformação digital do setor financeiro nos últimos anos.

A atual edição destaca a maturidade dos trabalhos apresentados e o potencial de impacto que representam para a inovação no SFN.

Os projetos apresentaram contribuições inovadoras em áreas como o agronegócio e sustentabilidade, com projetos voltados à geração de títulos florestais, à criação de um marketplace que oferece crédito agrícola rápido e fácil para agricultores familiares além de soluções para auxiliar o produtor rural a obter informações para a tomada de crédito.

Além de plataformas para promover a competitividade no mercado de crédito para pessoas jurídicas, no formato de marketplace reverso, entre diversos projetos relevantes para a economia nacional.

LIFT

O LIFT funciona como um indutor de inovação. A partir da seleção, ocorre um processo de aceleração de ideias para desenvolver um protótipo funcional em três meses, que tenha condições de provar que a inovação pode ter utilidade e melhorar o SFN.

Desde a primeira edição, o LIFT já induziu o desenvolvimento de mais de 50 novos produtos em um período de 3 anos.

Os trabalhos desenvolvidos pelo LIFT têm contribuído para aumentar a competitividade e introduzir tecnologia de ponta no SFN, além de reduzir custos e introduzir novos modelos de negócio.

As soluções para viabilizar o open banking são um exemplo. A identidade soberana é uma etapa fundamental para o desenvolvimento dos modelos de open banking. Ela permite que o cadastro do cliente seja de propriedade dele e não das instituições financeiras.

Desde a edição de 2019, o LIFT tem desenvolvido soluções que autorizam o uso de identidade soberana, seguindo os objetivos estratégicos da Agenda BC# para o Open Banking.

De acordo com André Siqueira, um dos coordenadores do LIFT, para o BC é fundamental estar em contato com as inovações que surgem no mercado.

“A proximidade com o BC no nascedouro das ideias permite um alinhamento com os objetivos estratégicos da Agenda BC#. Por meio da participação dos servidores do BC nos grupos de acompanhamento dos projetos, fomenta-se uma troca de experiências e um direcionamento dos novos produtos para atender a aspectos do mercado que precisam de maior maturidade, que têm baixa competitividade ou pouca oferta”, declarou.

via Cointelegraph Brasil