EXAME Agro
Acompanhe:

Seca no RS preocupa, mas problema parece localizado, avalia IBGE

A afirmação foi realizada nesta quinta-feira, 12, por Carlos Barradas, gerente do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)

Seca no RS: Na safra passada, a seca na Região Sul provocou uma quebra na produção de soja, com um tombo de 11,4% ante 2021 (Paulo Fridman / Colaborador/Getty Images)

Seca no RS: Na safra passada, a seca na Região Sul provocou uma quebra na produção de soja, com um tombo de 11,4% ante 2021 (Paulo Fridman / Colaborador/Getty Images)

E
Estadão Conteúdo

12 de janeiro de 2023, 15h39

A seca no Rio Grande do Sul preocupa em relação a seus efeitos sobre a produção de grãos mas, este ano, o problema parece mais 'localizado' em comparação com o ocorrido no verão passado. A afirmação foi realizada nesta quinta-feira, 12, por Carlos Barradas, gerente do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Na safra passada, a seca na Região Sul provocou uma quebra na produção de soja, com um tombo de 11,4% ante 2021. "Ano passado (no verão de 2021 para 2022) foi 'sui generis'. (Na safra atual) Estamos esperando alguma perda lá (no Rio Grande do Sul), mas temos de aguardar para ver e não deverá ser da forma que foi em 2022. Dizem que o (fenômeno climático) La Niña deste ano será mais fraco. Ano passado, a seca foi até o Paraná e pegou Mato Grosso do Sul", afirmou Barradas.

Com a seca mais localizada, o IBGE continua projetando um novo recorde de produção na safra atual - a safra de 2022 já havia sido recorde, apesar da quebra na produção de soja. O terceiro e último Prognóstico da Produção Agrícola, divulgado junto com o LSPA de dezembro nesta quinta-feira, 12, projeta produção de 296 209 milhões de toneladas em 2023, um salto de 12,6% em relação ao resultado de 2022.

Segundo Barradas, além do fato de a seca deste verão estar mais localizada no Rio Grande do Sul, outros fatores sustentam a projeção de recorde. Um deles é que a estiagem restrita ao extremo sul afeta menos a segunda safra de milho - que responde pela maior parte da produção total nacional -, já que os produtores gaúchos destinam a segunda colheita para ração animal.

Mais importante, as cotações internacionais dos grãos estão elevadas. "Os preços estão muito bons. Como estão muito bons, o produtor amplia a área", afirmou Barradas.

Além disso, com exceção do Rio Grande do Sul, na maior parte das regiões produtoras, o regime de chuvas começou dentro do esperado, no início da primavera.

Com isso, não há previsão de problemas relacionados à janela de plantio do milho de segunda safra, que entra nas mesmas áreas destinadas à soja no verão. Segundo Barradas, isso significa que apesar das incertezas inerentes ao comportamento do clima meses à frente, as condições estão dadas para uma boa segunda safra de milho.

LEIA TAMBÉM: