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Safra de milho do Brasil é vital para frear preços de alimentos

As exportações brasileiras de milho devem mais que dobrar este ano, para um volume recorde de 44 milhões de toneladas, de acordo com a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais

 (Getty Images/Getty Images)

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Tatiana Freitas e Tarso Veloso, Bloomberg

19 de dezembro de 2022, 13h31

A colheita de milho forte do Brasil não poderia ter vindo em momento melhor para o abastecimento global de alimentos, com as exportações de alguns dos maiores produtores mundiais prejudicadas por calamidades como guerra e seca.

As exportações brasileiras de milho devem mais que dobrar este ano, para um volume recorde de 44 milhões de toneladas, de acordo com a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais. Os embarques aceleraram desde outubro, quando o baixo nível das águas no rio Mississippi prejudicou as exportações americanas.

“O Brasil tem sido o salvador da pátria para o mercado apertado de grãos”, disse Vinicius Ito, diretor da Marex North America em Nova York. O Brasil já é líder no mercado de soja e cada vez mais ganha relevância no comércio de milho, com uma escassez global do grão que criou uma oportunidade para o país preencher a lacuna, disse ele.

A safra gigante do Brasil tem sido fundamental para conter os preços do milho, em meio a gargalos logísticos nos EUA e guerra na Ucrânia — primeiro e quarto maiores fornecedores do mundo, respectivamente. Os contratos futuros de milho caíram quase 20% desde o pico deste ano no final de abril, em parte devido à maior produção no Brasil, um alívio bem-vindo para consumidores que enfrentam a disparada de preços dos alimentos.

Enquanto os consumidores se beneficiam da safra brasileira, os produtores americanos têm motivos para se preocupar. Os EUA estão perdendo participação de mercado para o Brasil e outros países como Argentina e Ucrânia, que conseguiu se manter entre os cinco maiores exportadores de milho, mesmo com a invasão russa restringindo as exportações do Mar Negro. Ao contrário dos EUA, o Brasil tem espaço para plantar ainda mais.

“O que mais ajuda o Brasil é que ainda pode expandir sua base total de terras aráveis, o que não pode ser feito nos EUA”, disse Ben Buckner, analista-chefe de grãos da AgResource.

Na indicação mais clara da ameaça que o Brasil representa para os produtores dos EUA, a China, o maior importador de milho do mundo, recentemente decidiu começar a comprar milho brasileiro para reduzir sua dependência dos EUA. Os EUA responderam por cerca de 70% das compras da China no ano safra 2020-2021, e espera-se que esse domínio diminua depois que centenas de instalações brasileiras foram liberadas para vender para a China.

O milho brasileiro está mais barato que o norte-americano nos próximos três meses, quando os exportadores do grão costumam priorizar os embarques de soja. Mas os produtores brasileiros, que ainda têm cerca de 19 milhões de toneladas da safra atual para comercializar, podem esperar para ir ao mercado sempre que preços e câmbio estejam atraentes o suficiente, segundo Daniele Siqueira, analista da AgRural.

No próximo ano, o Departamento de Agricultura dos EUA estima que o Brasil poderá exportar até 47 milhões de toneladas, aproximando-se da previsão dos EUA de 52,7 milhões.