Aplicação de fertilizante no campo: a ureia, um dos fertilizantes mais dependentes do gás natural, também viu seu preço disparar. (Evaristo Sa/AFP/Getty Images)
Repórter de agro e macroeconomia
Publicado em 2 de maio de 2026 às 08h00.
A região do Golfo Pérsico é um importante polo de produção de nitrogênio e fosfato, insumos essenciais para o plantio de soja e milho.
Nos últimos três anos (2023-2025), os países do Golfo se consolidaram como o maior exportador regional de ureia e amônia (ambos à base de nitrogênio) e o segundo maior de fertilizantes fosfatados, como o fosfato diamônico (DAP) e o fosfato monoamônico (MAP).
Diante desse cenário, as relações de troca entre grãos e fertilizantes — ou seja, os preços relativos desses insumos — permanecem próximas das máximas históricas desde 2022, especialmente no caso de nitrogênio e fósforo, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.
Mesmo com uma indústria mais desenvolvida que a brasileira, os Estados Unidos também dependem de fontes externas para insumos essenciais, especialmente o potássio.
Essa dependência, segundo estudo da Universidade de Purdue, ainda que em níveis distintos, “deixa a produção agrícola em ambos os países exposta a choques geopolíticos, custos mais elevados e margens de lucro menores para os agricultores”.
Além disso, diferentemente de 2022 — quando a alta dos custos de insumos foi acompanhada por uma forte valorização das commodities —, o cenário atual combina aumento nos preços dos fertilizantes com ganhos mais modestos em culturas como soja e milho.