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Por que cocô e xixi de porcos podem virar água potável, segundo a Embrapa

Ação usou tecnologia que faz com que com dejetos se tornem água limpa o suficiente para reuso

Cocô e xixi de porco: tecnologia de tratamento transforma dejetos em água livre de poluição (Júlio Gomes Filho/Embrapa)

Cocô e xixi de porco: tecnologia de tratamento transforma dejetos em água livre de poluição (Júlio Gomes Filho/Embrapa)

Giovanna Bronze
Giovanna Bronze

Colaboradora

Publicado em 24 de fevereiro de 2026 às 05h30.

Fezes e urina de porcos — ou seja, os dejetos gerados na suinocultura — podem ser tratados e transformados em água potável.

A iniciativa ganhou destaque após uma ação recente envolvendo uma marca de cerveja e utiliza tecnologia desenvolvida pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

O sistema, chamado Sistema de Tratamento de Efluentes da Suinocultura (Sistrates), foi criado para tratar os resíduos líquidos da atividade.

Segundo a Embrapa, a tecnologia foi desenvolvida para “atender às demandas ambientais e produtivas do setor”, reduzindo impactos ambientais e ampliando o reaproveitamento de recursos.

Como o tratamento de cocô e xixi de porcos funciona?

Para o tratamento dos dejetos das criações de porcos, o sistema realiza a separação física dos sólidos, a biodigestão anaeróbia, remoção biológica de nitrogênio e precipitação química do fósforo.

Após a separação dos dejetos sólidos dos líquidos, a parte líquida é transferida para um decantador, que então segue para uma caixa de passagem para dividir o fluxo entre dois biodigestores.

Na sequência, o nitrogênio é removido do líquido, realizando a oxidação da amônia a nitrato. O processo ainda envolve outras etapas químicas para tratar a água.

Segundo a Embrapa, o líquido atinge o padrão de qualidade exigido pela legislação brasileira para ser lançado em corpos hídricos e pode ser utilizado em granjas, por exemplo.

Além do uso na agropecuária

Até então, o uso da tecnologia era direcionado para a própria agropecuária, utilizando a água tratada para granjas ou enviando-a para corpos de água, como rios.

No entanto, uma ação pontual mostrou que a tecnologia também pode ser usada para fazer com que a água seja potável.

Em nota à EXAME, a Embrapa disse que a ação foi realizada de forma "exclusivamente demonstrativa, em pequena escala", com o objetivo de ser apresentada em eventos científicos apenas para mostrar o potencial da tecnologia.

"É importante ressaltar que essa ação não se configura como pesquisa, projeto ou produção institucional da Embrapa, nem representa uma iniciativa oficial da empresa voltada à produção de cerveja", afirmou a empresa em nota.

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