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Por que a SLC Agrícola decidiu pagar R$ 1,8 bi por terras 'caras'

Segundo o BTG, compra de 29 mil hectares em Mato Grosso eleva dúvidas sobre o preço pago, mas qualidade do ativo e estratégia de longo prazo justificam a operação

SLC Agrícola: "O mercado provavelmente não esperava esse nível de investimento. A explicação é simples: a SLC está pagando cerca de R$ 65 mil por hectare, enquanto suas ações negociam com um desconto relevante em relação ao valor de seus ativos", afirmam os analistas Thiago Duarte e Guilherme Guttilla.

SLC Agrícola: "O mercado provavelmente não esperava esse nível de investimento. A explicação é simples: a SLC está pagando cerca de R$ 65 mil por hectare, enquanto suas ações negociam com um desconto relevante em relação ao valor de seus ativos", afirmam os analistas Thiago Duarte e Guilherme Guttilla.

César H. S. Rezende
César H. S. Rezende

Repórter de agro e macroeconomia

Publicado em 29 de junho de 2026 às 11h52.

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A decisão da SLC Agrícola de desembolsar R$ 1,85 bilhão para adquirir cerca de 29 mil hectares plantáveis por terras da Radar, em Mato Grosso, chamou a atenção do mercado pelo valor da transação.

Em relatório divulgado nesta segunda-feira, 29, o BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME) classificou a aquisição como "estrategicamente coerente", embora espere uma reação inicial mista dos investidores justamente por causa do preço pago.

O preço implícito, de aproximadamente R$ 65 mil por hectare, foi considerado elevado pelos analistas do banco, mas a avaliação é de que a empresa fez uma aposta estratégica em um ativo de alta qualidade, capaz de gerar valor ao longo do tempo.

"O mercado provavelmente não esperava esse nível de investimento. A explicação é simples: a SLC está pagando cerca de R$ 65 mil por hectare, enquanto suas ações negociam com um desconto relevante em relação ao valor de seus ativos", afirmam os analistas Thiago Duarte e Guilherme Guttilla.

A aquisição ocorre em um momento em que os preços de diversas commodities agrícolas, como a soja, seguem pressionados e parte do mercado tem adotado uma postura mais cautelosa com empresas do setor.

Segundo o BTG, o valor elevado é parcialmente compensado pela qualidade do ativo adquirido. A propriedade possui infraestrutura pronta, logística favorável e capacidade para realizar duas safras por ano, característica que aumenta o potencial de geração de caixa.

Além disso, a fazenda está localizada em Mato Grosso, principal estado produtor de grãos do país e uma das regiões agrícolas mais competitivas do Brasil.

"Esta é uma das áreas agrícolas mais premium do Brasil, com logística eficiente e plenamente apta ao sistema de dupla safra", afirmam os analistas.

A estimativa do banco é de que a operação possa gerar entre R$ 80 milhões e R$ 90 milhões de EBITDA adicional por ano, considerando os preços agrícolas projetados para 2026.

Mesmo assim, o retorno inicial estimado gira em torno de 4,5% ao ano, percentual considerado baixo quando comparado ao custo de capital das empresas do setor.

Para o BTG, a aquisição faz parte de uma estratégia da SLC de ampliar sua base de terras durante períodos de baixa do ciclo agrícola para capturar ganhos quando os preços das commodities se recuperarem.

"Isso nos lembra uma das estratégias mais bem-sucedidas da SLC ao longo dos anos: investir de forma contracíclica em expansão de capital. Historicamente, a companhia foi recompensada quando os preços das commodities voltaram a subir", afirmam Duarte e Gottilla.

Os analistas lembram que a valorização das terras agrícolas também pode contribuir para aumentar o retorno do investimento ao longo dos próximos anos.

Em 2025, a SLC registrou receita líquida recorde de R$ 8,6 bilhões no ano passado, alta de 23,7% na comparação anual.

SLC Agrícola

A operação também terá impacto na estrutura de capital da SLC Agrícola. Segundo o BTG, a relação entre dívida líquida e EBITDA deve subir para cerca de 2,5 vezes, um aumento de aproximadamente 0,7 vez em relação às projeções anteriores.

Ainda assim, o banco avalia que o nível de endividamento permanece confortável. "Do ponto de vista financeiro, a alavancagem aumenta, mas permanece em um patamar administrável", afirmam os analistas.

Mesmo considerando que o preço pago pela terra foi elevado, o BTG manteve a recomendação de compra para as ações da companhia. Para o banco, a tese de investimento continua apoiada no potencial de valorização das commodities agrícolas.

"Acreditamos que existe uma assimetria positiva caso os preços das commodities agrícolas melhorem. Mais do que nunca, porém, a tese depende da recuperação desses preços, já que, no cenário atual, a ação não parece descontada", escrevem os analistas.

A SLC Agrícola, por sua vez, defendeu que a aquisição vai além da expansão da área cultivável. Segundo a companhia, toda a área adquirida é apta ao cultivo da segunda safra, o que deve adicionar cerca de 22 mil hectares à área efetivamente plantada.

A transação também inclui máquinas, estruturas de armazenagem e demais ativos das fazendas, em uma operação no modelo "porteira fechada".

De acordo com a empresa, o valor desembolsado corresponde a cerca de R$ 64,2 mil por hectare, o que representa um desconto de aproximadamente 15% em relação ao preço médio das terras na região.

O pagamento será realizado em duas etapas. A primeira parcela, de R$ 700 milhões, será quitada nos próximos dias e corrigida a 100,25% do CDI. Os R$ 1,15 bilhão restantes serão pagos até 30 de outubro de 2026.

A compra foi concluída após uma disputa com o Grupo Bom Futuro, que apresentou uma proposta de igual valor. O fechamento da operação ainda depende da aprovação dos órgãos reguladores.

Por volta das 10h40 desta segunda-feira, as ações da SLC Agrícola caíram quase 3%, após recuar 1% na sexta-feira, 26.

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