EXAME Agro

Por que a China virou trunfo deste frigorífico em meio a margens apertadas

Para o BTG, a companhia continua beneficiada pela alta dos preços das exportações brasileiras para o país asiático

Minerva Foods: banco estima que a Minerva encerre o segundo trimestre de 2026 com receita líquida de R$ 14 bilhões, alta de 0,8% na comparação anual, Ebitda ajustado de R$ 1,26 bilhão, queda de 3,3%, e lucro líquido ajustado de R$ 142 milhões, recuo de 61% em relação ao mesmo período do ano passado.

Minerva Foods: banco estima que a Minerva encerre o segundo trimestre de 2026 com receita líquida de R$ 14 bilhões, alta de 0,8% na comparação anual, Ebitda ajustado de R$ 1,26 bilhão, queda de 3,3%, e lucro líquido ajustado de R$ 142 milhões, recuo de 61% em relação ao mesmo período do ano passado.

César H. S. Rezende
César H. S. Rezende

Repórter de agro e macroeconomia

Publicado em 27 de julho de 2026 às 10h31.

Última atualização em 27 de julho de 2026 às 10h33.

Priorizar nos meus resultados Google

A Minerva Foods deve atravessar o atual ciclo desfavorável da indústria global de proteínas em melhores condições do que seus principais concorrentes. Essa é a tese do BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME).

Para o banco, enquanto frigoríficos como JBS, Marfrig e Tyson Foods, com forte exposição ao mercado americano de carne bovina, enfrentam compressão de margens, a companhia continua beneficiada pela alta dos preços das exportações brasileiras para a China.

Segundo os analistas, essa dinâmica sustentará a receita da empresa, embora os custos mais elevados do gado e a valorização do real devam limitar os ganhos de rentabilidade.

O banco estima que a Minerva encerre o segundo trimestre de 2026 com receita líquida de R$ 14 bilhões, alta de 0,8% na comparação anual, Ebitda ajustado de R$ 1,26 bilhão, queda de 3,3%, e lucro líquido ajustado de R$ 142 milhões, recuo de 60,9% em relação ao mesmo período do ano passado.

Para os analistas Thiago Duarte e Guilherme Gutilla, as empresas do setor de proteínas enfrentam um momento em que os ciclos de bovinos, frango e suínos se deterioram ao mesmo tempo, reduzindo os benefícios da diversificação.

Segundo o BTG, o principal fator positivo para a Minerva é o mercado externo. O banco afirma que os preços médios de exportação da carne bovina brasileira subiram 23% em dólares durante o segundo trimestre, impulsionados pela corrida dos frigoríficos para atender à demanda chinesa.

Na avaliação do banco, esse movimento deve compensar parte dos efeitos da valorização do real e garantir o crescimento da receita da companhia.

Apesar da melhora das exportações, o BTG não espera um avanço significativo na rentabilidade da Minerva. A projeção é de uma margem Ebitda de 9%, praticamente estável em relação ao mesmo período do ano anterior.

"Esperamos que as margens de Ebitda permaneçam praticamente estáveis, já que os preços mais altos das exportações devem ser compensados pelo aumento dos custos com gado e pelos efeitos adversos do câmbio", dizem os analistas.

Outro ponto de atenção apontado pelo BTG é a geração de caixa. O banco estima que a Minerva registre um consumo de aproximadamente R$ 170 milhões em caixa no trimestre, refletindo principalmente o aumento da necessidade de capital de giro.

Segundo o relatório, esse movimento já havia sido antecipado pela administração da companhia e decorre do crescimento das exportações e do maior volume de estoques.

Para o banco, esse diferencial não elimina os desafios do trimestre, mas coloca a Minerva em uma posição relativamente mais favorável do que a de outros grandes players globais de proteínas.

O que aconte com os frigoríficos

Para os analistas do BTG, o setor pecuário perdeu uma característica que historicamente funcionava como proteção para empresas diversificadas: a alternância entre ciclos positivos e negativos das diferentes proteínas.

"Neste ano, nossa percepção é de que a maior parte dos ciclos de proteína, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, está sofrendo erosão de forma simultânea", afirmam os analistas.

Na prática, segundo o banco, isso significa que empresas presentes em bovinos, aves e suínos terão menos capacidade de compensar a fraqueza de uma operação com o desempenho de outra, tornando a temporada de resultados mais desafiadora.

O BTG aponta que o mercado americano de carne bovina continua sendo o principal foco de preocupação para o setor.

A análise ocorre em um momento em que os frigoríficos americanos enfrentam um dos períodos mais difíceis do ciclo pecuário nos EUA, com aumento de custos e margens apertadas.

Desde 2019, o número de cabeças de gado de corte caiu 13%, para 27,9 milhões. Já o rebanho bovino total dos Estados Unidos atingiu o menor nível desde 1952, segundo dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA).

A seca prolongada no oeste americano agravou o cenário ao elevar os custos com ração e reduzir áreas de pastagem, levando produtores a liquidar parte dos rebanhos para preservar o caixa.

Em 2025, a produção americana de carne bovina recuou 4% em relação ao ano anterior, para 11,8 milhões de toneladas. Com isso, os Estados Unidos perderam para o Brasil a liderança global na produção da proteína.

O cenário deve ajudar a explicar as projeções de margens negativas para as operações de carne bovina de companhias como JBS, Tyson Foods e MBRF na América do Norte durante o trimestre.

Acompanhe tudo sobre:Minerva FoodsFrigoríficosCarne bovinaExportaçõesChinaEstados Unidos (EUA)

Mais de EXAME Agro

Por que o tomate subiu 38% em setembro e o que esperar dos preços nos próximos meses

Dólar mais baixo pode reduzir margem da soja em 2026/27

Juros menores em 2027 podem favorecer Camil — mas efeito é desigual no agro

Celulose a US$ 600? Suzano testa alta antes da nova oferta de 2027