Mercado de rua na China: país asiático é um grande consumidor de carne bovina (Freepik/Divulgação)
Repórter de agro e macroeconomia
Publicado em 15 de janeiro de 2026 às 06h01.
Apesar da recente introdução de cotas para importações de carne bovina pela China, o país deve continuar dependente da proteína estrangeira nos próximos anos — cenário que reforça as oportunidades para empresas exportadoras, como a brasileira Minerva Foods.
A avaliação é do banco Santander, em relatório assinado pelos analistas Guilherme Palhares e Laura Hirata, divulgado nesta quarta-feira, 14.
Segundo o documento, o rebanho bovino da China vem encolhendo de forma estrutural, como consequência do aumento no abate de fêmeas, o que compromete a reposição de animais e pressiona a oferta doméstica. Ao mesmo tempo, o consumo de carne bovina no país asiático segue em alta, abrindo espaço para a continuidade das importações.
“Mesmo com tarifas, a diferença de preços entre o mercado interno chinês e os fornecedores internacionais deve sustentar a compra de carne bovina importada. A recente imposição de cotas de importação não muda nosso cenário base de demanda chinesa firme", afirmam os analistas.
No último dia de 2025, a China anunciou a aplicação de tarifas adicionais de 55% sobre as importações de carne bovina provenientes de países como Brasil, Austrália e Estados Unidos, caso os embarques ultrapassem determinados limites.
De acordo com o Ministério do Comércio da China (MOFCOM), a cota total para 2026 será de 2,7 milhões de toneladas. O Brasil, principal fornecedor da proteína ao país, ficará com a maior fatia: 41,1%, ou 1,1 milhão de toneladas.
Na avaliação dos analistas, pesa a favor do Brasil a competitividade de seus preços. O custo da arroba no país gira em torno de US$ 4/kg, contra US$ 5/kg nos Estados Unidos e na Austrália — valores bem abaixo do preço médio de importação pela China (US$ 5,5/kg) e do preço no atacado doméstico chinês (US$ 9/kg).
Essa conta favorece exportadores sul-americanos competitivos, como Brasil, Argentina e Austrália, aponta o banco.
Em 2025, a China manteve a liderança como principal destino da carne bovina brasileira, com 1,7 milhão de toneladas importadas e US$ 8,90 bilhões movimentados — altas de 25,5% em volume e 48,3% em valor na comparação com 2024.
Nesse contexto, empresas como a Minerva Foods, com forte exposição ao mercado chinês e operações diversificadas na América do Sul, devem continuar se beneficiando — ainda que com algumas ressalvas.
A Minerva é citada no relatório como um dos principais players no fornecimento de carne bovina para o mercado chinês.
O Santander manteve recomendação neutra para os papéis da companhia, com preço-alvo de R$ 6,80 — o que representa uma valorização de 26,8% em relação à cotação de R$ 5,36 registrada em 13 de janeiro de 2026.
Segundo o relatório, “o papel negocia a 5,2 vezes o EV/EBITDA 2026, o que consideramos justo, dada a visibilidade limitada para expansão de margens e os riscos sanitários e regulatórios envolvidos", diz.
Ainda assim, os analistas reconhecem que a empresa deve se beneficiar da combinação de preços domésticos baixos com uma demanda externa firme, especialmente com a China consolidada como a maior compradora mundial.
A análise também ressalta que, embora a carne bovina ainda represente uma parcela pequena do consumo total de proteínas na China — cujo mercado de carne suína é cinco vezes maior —, há espaço para crescimento, impulsionado pela sofisticação do consumo urbano e pelas mudanças nos hábitos alimentares da população.
Os analistas, no entanto, alertam para dois riscos principais que podem impactar a desempenho da companhia: a incerteza sobre a alocação das cotas de importação chinesas e a possibilidade de sanções sanitárias que afetem as plantas brasileiras habilitadas a exportar.
Apesar desses desafios, diz o relatório, a Minerva segue com alta competitividade no cenário internacional, em especial por sua presença geográfica diversificada na América do Sul, o que a torna mais resiliente a choques localizados.