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Pela terceira vez, governo adia reunião sobre aumento do etanol na gasolina

Encontro do CNPE que decidiria elevar a mistura de etanol para 32% foi novamente retirado da agenda; governo não explicou o motivo

E32: Segundo o MME, a decisão foi embasada por estudos conduzidos pelo Instituto Mauá de Tecnologia, que avaliaram o desempenho da gasolina com 32% de etanol (E32) em veículos leves e motocicletas. (Peter Dazeley/Getty Images)

E32: Segundo o MME, a decisão foi embasada por estudos conduzidos pelo Instituto Mauá de Tecnologia, que avaliaram o desempenho da gasolina com 32% de etanol (E32) em veículos leves e motocicletas. (Peter Dazeley/Getty Images)

César H. S. Rezende
César H. S. Rezende

Repórter de agro e macroeconomia

Publicado em 8 de julho de 2026 às 09h25.

Última atualização em 8 de julho de 2026 às 10h05.

O governo federal adiou, pela terceira vez, a reunião que decidiria o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina, de 30% para 32%.

A proposta seria votada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) em reunião marcada para as 9h desta quarta-feira, 8, no Ministério de Minas e Energia (MME), em Brasília.

O ministério ainda não explicou os motivos do adiamento nem informou quando o encontro será remarcado.

O aumento da mistura obrigatória de etanol vem sendo discutido pelo CNPE desde maio, mas três reuniões que incluíam o tema na pauta foram adiadas por questões de agenda.

A expectativa em torno da medida foi reforçada pelo próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que, ainda no final de abril, anunciou publicamente a intenção do governo de elevar a mistura de etanol na gasolina para 32% e a de biodiesel no diesel para 16%, antes mesmo da deliberação do conselho.

Embora a proposta tenha respaldo dentro do governo e do setor sucroenergético, ela também passou por novas avaliações técnicas. Quando a mistura de etanol foi elevada para 30%, em 2025, foram realizados testes para verificar o desempenho dos veículos e a compatibilidade da nova composição.

Para avançar do E30 para o E32, o Ministério de Minas e Energia sustenta que não é necessário repetir essa bateria de ensaios. O entendimento, no entanto, foi questionado por representantes do setor de combustíveis, o que levou à realização de análises técnicas adicionais antes da votação pelo CNPE.

O que é o E32?

A possível adoção do E32 dá continuidade a uma estratégia iniciada em 2025, quando o governo elevou a mistura de etanol na gasolina de 27% para 30%. Na ocasião, a decisão também passou pelo CNPE e contou com apoio majoritário dentro do governo, apesar de resistências pontuais da Petrobras.

A mudança foi viabilizada pela Lei do Combustível do Futuro, sancionada em 2024, que permite elevar a mistura de etanol para até 35% e a de biodiesel no diesel para até 25%. O marco legal abriu espaço para uma política gradual de ampliação dos biocombustíveis na matriz energética brasileira.

Na época, estudos técnicos indicavam que o E30 poderia reduzir o preço da gasolina em até R$ 0,13 por litro, com efeitos indiretos sobre a inflação, especialmente de alimentos, devido à forte dependência do transporte rodoviário no país.

A ampliação da mistura também dialoga com a política de preços da Petrobras. Com menor necessidade de importação, há expectativa de redução da exposição ao Preço de Paridade de Importação (PPI), modelo que vincula os preços domésticos ao mercado internacional.

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