OPINIÃO: Antecipação de crédito, uma alternativa para o financiamento do setor

Em artigo, Bernardo Fabiani, CEO da startup TerraMagna, escreve sobre processos como a transferência de dívidas para fundos de investimento, que oferecem pagamento à vista para o produtor rural
Artigo: antecipação de crédito pode ser alternativa a finaciamento da produção rural (Getty Images/Getty Images)
Artigo: antecipação de crédito pode ser alternativa a finaciamento da produção rural (Getty Images/Getty Images)
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Da RedaçãoPublicado em 20/06/2022 às 15:35.

Por Bernardo Fabiani*

Segundo informações divulgadas recentemente pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), as contratações de crédito rural, nos 11 primeiros meses da safra 2021/22, alcançaram R$ 252,46 bilhões, o que representa um aumento de 18% se comparado ao mesmo período da safra anterior. Mas o acumulado está longe de atender toda a demanda do setor. Não é de hoje que o agronegócio carece de financiamento. Historicamente, o setor foi muito dependente de subsídios, principalmente para custeio. A dificuldade em conseguir créditos que atendam à demanda do setor e a importância deles para manter o negócio forte, têm impulsionado a busca por novos caminhos.

O processo de antecipação de recebíveis, por exemplo, é uma das formas pelas quais podemos conseguir, para os produtores, distribuidores e para a cadeia de valor como um todo, o insumo mais importante, que é o crédito; sem ele, não há desenvolvimento. Atualmente, um distribuidor que queira fazer uma venda para um produtor terá de dar um prazo, muitas vezes um prazo safra, por exemplo, que pode variar de seis meses a um ano. O problema é que isso afeta duramente o fluxo de caixa do distribuidor de insumos.

Todos nós sabemos que os defensivos estão com as margens cada vez menores, e isso não é compatível com prazos muito elevados, ou seja, o distribuidor está vendendo “fiado” para receber depois de um bom tempo. Em vez de fazer isso e ter que esperar o pagamento, o distribuidor pode procurar um fundo de investimento e antecipar os títulos do agro, como CPRs e duplicatas. O processo consiste em transferir a dívida feita com o produtor rural para o fundo, que vai comprar os recebíveis à vista, isto é, o distribuidor recebe à vista por aquele insumo que ele vendeu a prazo.

Além de ter dinheiro em caixa, poder investir no negócio e até mesmo realizar compras de insumos à vista e ter descontos, o distribuidor também sai do risco da operação, pois, no final da safra, ele não deve se preocupar em receber, porque o produtor vai pagar diretamente para o fundo. Todo o risco da operação, que antes era da distribuidora, passa a ser do fundo de investimento.

A transação é menos burocrática, e isso é um ponto importante a ser frisado. Quando se fala em conseguir um crédito de custeio nos meios tradicionais de financiamento, estamos falando de fazer e monitorar um projeto, além de cumprir uma série de protocolos; e, quando citamos a antecipação de recebíveis, estamos falando em um endosso de CPRs, endosso de duplicada, que é um processo mais simples, rápido e menos burocrático.

Ademais, a antecipação de recebíveis também beneficia os produtores. Hoje, os fertilizantes e as sementes têm um crédito muito limitado de fornecedores; qual é a consequência desse cenário? O produtor acaba tendo um “mix” menor, sendo necessário comprar em vários estabelecimentos. A vantagem desse tipo de serviço para o produtor é que ele consegue comprar todo o seu rol de produtos em um único distribuidor, de modo que toda a cadeia acaba se beneficiando.

Procurar novas alternativas para financiar o agronegócio é fundamental para manter o setor em constante crescimento, sendo o braço forte do nosso país e combustível importante para a nossa economia.

*Bernardo Fabiani é especialista em concessão de crédito para o agronegócio e CEO da startup TerraMagna, considerada uma das maiores fintechs voltadas ao agronegócio na América Latina.

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