Feijão carioca: variedade foi descoberta por paulista (Dercílio / Saúde/Divulgação)
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Publicado em 11 de janeiro de 2026 às 17h47.
A produção de feijão no Brasil deve atingir 3 milhões de toneladas em 2026, uma queda de 1,8% em relação ao ano anterior, segundo projeções da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Dupla "dinâmica" com o arroz, o feijão é o segundo grão mais consumido no país, atrás apenas do cereal.
O tipo mais produzido é o feijão-carioca. Apesar do nome, sua origem não está no Rio de Janeiro: a variedade foi desenvolvida no estado de São Paulo.
O responsável por identificar a variedade foi Luiz D’Artagnan de Almeida, conhecido como o "pai do carioquinha" — título que conquistou ao transformar para sempre o prato dos brasileiros.
O pesquisador faleceu em 2 de janeiro de 2026, deixando um legado marcante para as mesas de milhares de pessoas desde a década de 1960. Segundo o Instituto Agronômico (IAC) de São Paulo, ele foi o responsável pela “avaliação e difusão do feijão-carioca, que revolucionou a mesa dos brasileiros”.
Segundo o IAC, D'Artagnan de Almeida ingressou na instituição em 1967, onde trabalhou até 2002, na seção de leguminosas.
O pesquisador, ao lado de Shiro Miyasaka e Hermógenes Freitas Leitão Filho, foi o responsável por analisar grãos listrados de feijão que posteriormente receberiam o nome "carioca".
Por sua contribuição, o pesquisador passou, então, a ser considerado o "pai do Carioquinha".
Segundo a pesquisa "Arroz e feijão: tradição e segurança alimentar" da Embrapa, os brasileiros preferiam consumir feijão-preto, rosinha, roxo, "mulatinho", branco, vermelho, bico-de-ouro, bolinha e manteiga até a década de 1960. Com a ação de Almeida, a tendência mudou.
"O tipo carioca pode ser considerado um marco no desenvolvimento do mercado de feijão brasileiro, sendo o final da década de 1960 o período histórico de início da estruturação da indústria empacotadora e novo padrão de comercialização e consumo, além da contribuição do desenvolvimento de tecnologias para a produção do grão", diz o estudo.
O feijão foi descoberto em uma lavoura na cidade de Ibirarema, no estado de São Paulo. A safra foi levada pelo engenheiro-agrônomo Waldimir Coronado Antunes, então chefe da Casa de Agricultura da Diretoria de Assistência Técnica Integral (Cati), em 1966.
Apenas em 1969 que o feijão-carioca passou a existir oficialmente, após ser incluído por D'Artagnan no projeto de produção de sementes da Cati.
Segundo o IAC, em 1970 iniciou-se o Programa de Melhoramento Genético do Feijão, que se tornou um dos preferidos entre os brasileiros e representa 66% do consumo nacional.
O tipo carioca se popularizou na lavoura principalmente por apresentar "potencial altamente produtivo, resistência às doenças que acometiam a cultura, sabor agradável e rápido cozimento", diz a Embrapa.
Ainda segundo a Embrapa, apesar de ser o tipo mais cultivado no país, sua plantação é apenas para o mercado interno, uma vez que não há demanda do mercado internacional.
Luiz D’Artagnan de Almeida recebeu diversas homenagens ao longo da carreira até se aposentar, em 2002, e ficou conhecido para sempre como “o pai do carioquinha”.