Investidor de olho no agronegócio: conheça principais oportunidades em setor seguro e promissor

Já são mais de 300 startups focadas no setor, que alcançou bons números em 2021, mesmo em meio à crise econômica e sanitária
Agronegócio: setor é foco de empreendedores e investidores (Getty Images/Getty Images)
Agronegócio: setor é foco de empreendedores e investidores (Getty Images/Getty Images)
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Ana Carolina Pereira Publicado em 02/08/2022 às 09:00.

Entre janeiro e abril de 2022, a balança comercial do agronegócio brasileiro registrou superávit de US$ 43,7 bilhões. Em 2021, o Produto Interno Bruto (PIB) do setor, calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), já havia conquistado bons números, com crescimento de 8,36% — o que significou uma participação de  27,4% no PIB brasileiro, a maior desde 2004 (quando foi de 27,53%).

O Brasil é o maior exportador de café, laranja e açúcar do mundo, o maior produtor de cana-de-açúcar e o principal exportador de etanol, carne bovina e aves. O país também se destaca em produção e exportação de carne suína, produção de milho e soja e exportação de óleo de soja.

O agronegócio é o responsável por cerca de 50% de toda exportação brasileira e vale lembrar que o setor não se limita a produzir itens que vão para a mesa dos consumidores e também não vive apenas de commodities. O agro é responsável pela produção de diversas matérias-primas utilizadas por outros setores, como as indústrias farmacêutica, de cosméticos, têxtil, de biocombustíveis e madeireira, sendo parte crucial da economia brasileira.

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Agronegócio com a força da tecnologia

O ano de 2021 foi de grandes números e também de grandes transformações no agronegócio brasileiro, que foi reconhecido como a agricultura mais competitiva e sustentável do mundo — em um ranking com 187 países, o Brasil liderou o crescimento de produtividade com taxas de crescimento de 3,18% ao ano, segundo pesquisa  publicada pelo Serviço de Estudos Econômicos do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

Esse também foi o ano em que o mercado viu crescer as chamadas agrotechs, startups focadas no agronegócio com o objetivo de melhorar os processos e otimizar o trabalho por meio de inovações tecnológicas. A incorporação robusta da tecnologia do agronegócio é capaz de promover uma verdadeira revolução no campo, desenvolvendo soluções e gerando dados com níveis precisos aos produtores, auxiliando-os nas tomadas de decisão de forma inteligente e assertiva.

De acordo com a Comissão Brasileira de Agricultura de Precisão, com a aceleração da digitalização em praticamente todos os setores da economia, cerca de 70% das propriedades agrícolas já usam alguma inovação tecnológica. O surgimento dessas startups é visto também como uma resposta à necessidade de automação, já enxergada no setor desde antes da pandemia.

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Investimento em agrotechs

Em meados de 2021, o Censo AgTech de Startups Brasil apontava a existência de 300 empresas do tipo agrotech no mercado brasileiro e até mesmo a criação de uma espécie de “Vale do Silício" brasileiro voltado para o setor. Localizado em Piracicaba, no interior de São Paulo, a região já abrigava quase 40% das startups agro do país.

Na mesma época, o estudo Agtech Mining Report, feito pela plataforma de inovação Distrito, mostrou que os investimentos nesses negócios ultrapassaram a barreira de US$ 160 milhões, somando os aportes feitos desde 2009, sendo que mais da metade desse valor havia sido aportado a partir de 2019.

Entre as soluções mapeadas pelo estudo, as que mais se destacaram foram as ofertas de software de gestão da produção agropecuária, uso de internet das coisas e big data analytics para o campo. Biotecnologias, automação, robotização e soluções de marketplace também apareceram com força. E a principal categoria do setor é a agricultura de precisão, com 38% das agrotechs brasileiras.

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Como investir no agronegócio

Uma das formas mais diretas de investir no agronegócio é por meio da aquisição de ações de empresas que atuam nesse mercado. Mas é importante ressaltar que, como se trata em um investimento de renda variável, com riscos, é recomendado que o investidor esteja familiarizado com a empresa e saiba avaliar o seu potencial de crescimento, além de interpretar indicadores como margem de lucro, Ebitda e endividamento.

Outra forma, também em renda variável de investir no setor é por meio dos fiagros, os fundos de investimento focados no agronegócio. Eles funcionam de forma semelhante aos fundos imobiliários, mas direcionados aos negócios rurais.

E quem prefere a segurança da renda fixa, é possível também optar pelas Letra de Crédito do Agronegócio (LCAs), títulos emitidos por instituições financeiras que direcionam o capital a investimentos no setor de agronegócio. As LCAs podem ter rentabilidade pré-fixada, pós-fixada ou  híbrida.

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