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Gripe aviária no exterior e guerra da Ucrânia fazem Brasil bater recorde de exportação de frangos

Vendas ao exterior vão crescer 5% e chegar a 4,8 milhões de toneladas este ano

Já as exportações de carne suína este ano terão uma pequena queda em relação a 2021 (EugeneTomeev/Thinkstock)

Já as exportações de carne suína este ano terão uma pequena queda em relação a 2021 (EugeneTomeev/Thinkstock)

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Agência O Globo

Publicado em 15 de dezembro de 2022, 16h21.

A incidência da gripe aviária em países do hemisfério norte e a guerra entre Rússia e Ucrânia vão fazer o Brasil bater recorde nas exportações de carne de frango (considerando todos os produtos, entre in natura e processados) este ano.

Segundo projeções da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), as vendas ao exterior vão ficar entre 4,8 milhões e 4,85 milhões de toneladas, crescimento de 5% em relação a 2021. O Brasil está livre de casos de gripe aviária, mas existe preocupação com a doença.

"Um crescimento das exportações de carne de frango já era esperado, mas os casos de gripe aviária no hemisfério norte, diminuindo a produão em diversos países, fez a a venda dos produtos brasileiros crescer acima do nível projetado", disse Ricardo Santin, presidente da ABPA, lembrando que o consumo per capita dos brasileiros de frango se manteve em 45 kg por ano em 2022.

Santin disse que o país está preparado para enfrentar eventuais casos de gripe aviária. Ele afirmou que 'casos de fundo de quintal' não param a produção, mas que se for detectado foco em planteis industriais, as aves são sacrificadas. O Brasil é o maior exportador mundial do produto, seguido dos Estados Unidos e União Europeia.

No ano passado, as exportações de frango chegaram a 4,6 milhões de toneladas. Com alta do dólar, a receita este ano está crescendo 29% este ano, chegando a US$ 8,9 bilhões frente aos US$ 6,9 bilhões em 2021.

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Mesmo com crescimento das exportações, Santin garante que não haverá mais aumento de preços ao consumidor brasileiro. Ele lembra que o custo do milho e farelo de soja, usados na produção de frango e suínos, já subiu este ano e que o valor dessas proteínas na ponta do cliente já está mais elevado este ano.

Santin afirma que a continuidade do Auxílio Brasil (que voltará a se chamar Bolsa Família) em 2023, além do aumento real do salário mínimo, vão ajudar a elevar o consumo de proteínas.

Ele observa que o conflito entre Rússia e Ucrânia interrompeu o abastecimento de cereais a países da Europa, gerando queda de produção. Com isso, o Brasil foi chamado a complementar essa lacuna. De acordo com Santin, a gripe aviária continua sendo a grande preocupação global nesse segmento, que vem apresentando crescimento lento de produção.

A China continua sendo o principal comprador da carne de frango brasileira, embora a exportação para o país asiático vai recuar mais de 16% este ano.

Para 2023, a expectativa da ABPA é que as exportações de frango quebrem pela primeira vez a barreira dos 5 milhões de toneladas, com a produção ficando em 14 milhões de toneladas. A estimativa de vendas ao exterior da ABPA aponta uma estimativa entre 5 milhões a 5,2 milhões de toneladas, um crescimento de 8,5%.

Já as exportações de carne suína este ano terão uma pequena queda em relação a 2021. A venda ao exterior deve chegar a 1,12 milhão de toneladas frente aos 1,13 milhão de toneladas, queda de 1%.

A China continua sendo o principal mercado da carne de porco brasilera, mas este ano vai comprar 19% a menos. Mesmo assim, a expectativa é de retomada do mercado chinês, no primeiro semestre de 2023, com o fim das restrições de mobilidade e retomada das viagens domésticas, por conta da Covid-19.

A abertura do mercado canadense, este ano, à carne suína brasileira também deve impulsionar as exportações em 2023, que devem crescer até 12%, segundo a ABPA.

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