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Galinhas entram em lockdown com surto de gripe aviária

Doença, extremamente contagiosa, provoca problemas respiratórios e morte nas aves; infecções em humanos são raras, mas um caso foi registrado nos EUA no último dia 28
Galinhas confinadas: na Europa e EUA, aves são colocadas em lockdown por causa de gripe aviária (Getty Images/Getty Images)
Galinhas confinadas: na Europa e EUA, aves são colocadas em lockdown por causa de gripe aviária (Getty Images/Getty Images)
Por Carla AranhaPublicado em 02/05/2022 09:22 | Última atualização em 02/05/2022 09:22Tempo de Leitura: 3 min de leitura

Galinhas orgânicas, que normalmente têm acesso ao ar livre, vêm sendo colocadas em lockdown por causa de surtos da gripe aviária nos Estados Unidos e na Europa, de acordo com produtores rurais e representantes do setor. Já surgem preocupações a respeito da percepção do consumidor sobre o produto, já que um dos principais motivos para a preferência por proteínas orgânicas é o modo como os animais são criados.

A mudança também deve ser sentida no bolso. Nos países afetados pela gripe aviária, os preços já vinham subindo devido à necessidade de eliminar as aves de granjas contaminadas. Nos Estados Unidos, mais de 19 milhões de galinhas precisaram ser sacrificadas, o que resultou na eliminação de 6% da produção total do país. Na França, que passa pelo pior surto de gripe viária da história, o cenário é ainda pior: 8% das aves em idade de produzir ovos foram eliminadas.

Os varejistas franceses foram orientados a informar os consumidores sobre o lockdown das galinhas, em vigor desde novembro do ano passado, mas nem todos estão seguindo as recomendações.

Na Espanha, as aves estão trancafiadas há quatro meses, de acordo com a Organização Interprofissional de Ovos e Derivados.

A influenza viária, causada pelo vírus H5N1, em geral leva as aves à morte em poucos dias nos casos mais graves. Em quadros menos severos, provoca infecções respiratórias e redução na produção de ovos. Como a doença é extremamente contagiosa, normalmente os animais infectados precisam ser abatidos. No Brasil, não foram registrados casos da anomalia, de acordo com o Ministério da Agricultura.

Com isso, o país usufrui de um status sanitário diferenciado, o que vem elevando as exportações – em março, as vendas externas avançaram quase 6% em comparação ao mesmo período do ano passado, totalizando 2 bilhões de dólares, de acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

O vírus causador da doença raramente atinge os seres humanos, embora tenha sido registrada uma infecção em uma pessoa nos Estados Unidos na última quinta, dia 28. O caso aconteceu no Colorado, segundo o Centro de Controle de Doenças e Prevenção do governo americano. A pessoa que testou positivo trabalha em uma granja e tem contato direto com as aves. O único sintoma relatado pelo paciente foi um cansaço persistente por alguns dias. De qualquer forma, o portador do vírus foi isolado e recebeu tratamento à base do remédio oseltamivir.

O H5N1 foi identificado em 34 estados americanos. O governo vem monitorando pessoas expostas ao vírus desde o final do ano passado.

Na União Europeia, a gripe aviária chegou a praticamente todos os países. As exceções são as ilhas de Malta e Chipre.

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