Casal do interior de SP mostra que agricultura e floresta podem coexistir; veja vídeo

Jovens recuperam área de pastagem degradada e hoje produzem 200 quilos de alimentos orgânicos por mês na região de Campinas (SP)
Patricia Campiol e Gustavo Fernandes: recuperação de área degradada e produção de orgânicos em SP (divulgação/Divulgação)
Patricia Campiol e Gustavo Fernandes: recuperação de área degradada e produção de orgânicos em SP (divulgação/Divulgação)
Carla Aranha
Carla AranhaPublicado em 15/07/2022 às 12:42.

Depois de fazer um MBA em negócios socioambientais e se aprofundar no estudo de recuperação de pastagens degradadas, o advogado paulista Gustavo Fernandes resolveu colocar em prática o que aprendeu e comprou uma área de dois hectares em Campinas, no interior de São Paulo. O trabalho de recuperar o solo foi tão motivador que Fernandes acabou construindo uma casa no sítio e se mudou para o local. Alguns anos depois, se casou com a arquiteta Patricia Campiol, que se juntou a ele na missão de transformar a propriedade em um celeiro de hortaliças, legumes e frutas orgânicas.

Deu certo. Hoje, o casal comercializa cerca de 200 quilos de alimentos por mês para dezenas de famílias que, por meio de um sistema de assinaturas, recebem cestas com os produtos da época. Técnicas de gestão hídrica aliadas à adubagem natural e o plantio de árvores tornaram o solo fértil novamente. “Essa foi a nossa maior conquista”, diz Campiol. “O Sítio Vale das Cabras mostra que é possível conjugar a prática agrícola com a preservação da natureza”. Assista aqui o episódio da série EXAME AGRO sobre o tema.

A transformação de áreas degradadas segue em crescimento no país. Na última década, foram recuperados quase 27 milhões de hectares de pastagens no país, de acordo com um estudo da Universidade Federal de Goiás. Os principais avanços ocorreram no Centro-Oeste e Sul. Além disso, houve uma diminuição de quase 10% da área total de pastagens consideradas severamente degradadas.

“A agricultura no país deverá crescer por meio da utilização de áreas de pastagens para o cultivo de alimentos, sem que seja necessário derrubar uma única árvores”, diz Marcos Jank, coordenador do centro Insper Agro Global. “Esse é um movimento que veio para ficar”.

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