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Argentina de Milei pode bater recorde na produção de soja em 2024/25 — mas La Niña preocupa

Projeções do USDA apontam 52 milhões de toneladas de soja, mas seca e desafios climáticos podem impactar os rendimentos

Plantação de soja: custos de produção da soja no Mato Grosso, um dos principais produtores do grão no Brasil, subiram de cerca de US$ 368 por hectare na safra 2009/2010 para aproximadamente US$ 559 em 2025/2026, com pico de US$ 602 em 2022/23. (Gary Conner/Getty Images)

Plantação de soja: custos de produção da soja no Mato Grosso, um dos principais produtores do grão no Brasil, subiram de cerca de US$ 368 por hectare na safra 2009/2010 para aproximadamente US$ 559 em 2025/2026, com pico de US$ 602 em 2022/23. (Gary Conner/Getty Images)

César H. S. Rezende
César H. S. Rezende

Repórter de agro e macroeconomia

Publicado em 8 de janeiro de 2025 às 12h14.

Última atualização em 8 de janeiro de 2025 às 13h06.

Assim como o Brasil, a Argentina deve registrar um recorde na produção de soja na safra 2024/25. O país vizinho deve alcançar 52 milhões de toneladas, montante 5% superior ao da safra 2023/24, segundo o adido agrícola do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), em relatório divulgado nesta quarta-feira, 8.

O USDA atribui o desempenho às chuvas constantes nos últimos meses e à boa condição das lavouras. No entanto, a estimativa do departamento desconsidera a projeção da Bolsa de Cereais de Buenos Aires (BCBA), que informou na semana passada que um terço das lavouras de soja da Argentina está em estágio reprodutivo, período crítico que demanda maior quantidade de água, enquanto áreas do país enfrentam seca nos últimos dias.

Por outro lado, o USDA alertou para a possibilidade de impactos negativos de uma seca induzida pelo La Niña, o que poderia afetar tanto os rendimentos quanto a qualidade dos grãos na atual temporada.

Área plantada e exportações de soja da Argentina

A área plantada para a safra 2024/25 foi mantida em 17,8 milhões de hectares, representando um aumento em relação aos 16,3 milhões de hectares de 2023/24.

Parte desse crescimento é explicada pela substituição de áreas de milho por soja, motivada pelo receio do impacto da cigarrinha-do-milho, que afetou o cereal argentino na temporada anterior, segundo o USDA.

Além disso, o USDA manteve a projeção de esmagamento em 42 milhões de toneladas para 2024/25, o que seria um volume recorde e 500 mil toneladas superior ao estimado para 2023/24.

As projeções de exportação também foram ampliadas. O USDA estima que o farelo de soja embarcado alcance 29,5 milhões de toneladas, enquanto o óleo de soja deve atingir 5,6 milhões de toneladas.

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