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Ex-presidente Uribe lança movimento eleitoral na Colômbia

Uribe já governou com alta popularidade em dois períodos sucessivos e não pode se candidatar a um novo mandato presidencial


	Álvaro Uribe: processo de paz que o governo de Santos empreendeu em Cuba com as Farc é um tema que deve dominar e polarizar a campanha eleitoral
 (AFP/ Donald Bowers)

Álvaro Uribe: processo de paz que o governo de Santos empreendeu em Cuba com as Farc é um tema que deve dominar e polarizar a campanha eleitoral (AFP/ Donald Bowers)

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Nina Negron

1 de fevereiro de 2013, 17h37

Bogotá - O ex-presidente colombiano Álvaro Uribe (2002-2010), ferrenho opositor ao diálogo de paz com as Farc mantido por seu sucessor Juan Manuel Santos, volta com um novo movimento político à arena eleitoral de 2014, exaltando suas conquistas em segurança apesar de críticas por violação dos direitos humanos.

Uribe já governou com alta popularidade em dois períodos sucessivos e não pode se candidatar a um novo mandato presidencial. Ele apresentou seus candidatos para as eleições presidenciais e legislativas do próximo ano, que será marcado pela tentativa de reeleição de seu ex-ministro da Defesa, Juan Manuel Santos.

O processo de paz que o governo de Santos empreendeu em Cuba com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) é um tema que deve dominar e polarizar a campanha eleitoral.

A proposta eleitoral de Uribe mostra "uma luta pelo poder, não se trata somente de uma manifestação do desejo de permanecer ativo na política", disse à AFP o cientista político Vicente Torrijos.

Apesar de não integrar nenhum partido com representação, "Uribe tem muitas chances de obter o controle do Congresso. As alianças eleitorais começam a se preparar desde já" com setores de diversos grupos políticos, opinou Torrijos.


Entre as personalidades que Uribe promove estão o ex-vice-presidente Francisco Santos, a ex-ministra da Defesa Martha Lucía Ramírez, e o presidente da associação de pecuaristas, José Félix Lafaurie.

Este novo movimento político chamado de Centro Democrático reúne fazendeiros e proprietários de terras que se opõem a uma integração política da guerrilha, explica Rubén Sánchez da Universidade do Rosário.

"É a direita dura que teme a direita mais branda representada por Santos", afirmou o professor de Ciência Política à AFP.

Advogado e fazendeiro de 60 anos, Uribe foi eleito presidente pela primeira vez em 2002, com um discurso radical contra as Farc, justamente após o fracasso da tentativa anterior de paz com a guerrilha realizada durante três anos pelo conservador Andrés Pastrana.

Em seus oito anos de governo, o mandato de Uribe recebeu apoio dos Estados Unidos através do Plano Colômbia, que conseguiu reduzir de 20.000 para cerca de 9.000 o número de guerrilheiros das Farc, encurralando a guerrilha nas zonas rurais mais remotas da Colômbia.